sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dedicatórias e um milheiro de tsurus

Para 2010, as dedicatórias, baseadas numa prece budista kadampa:

Pelas virtudes que coletei
Praticando as etapas do caminho,
Que todos os seres vivos tenham a oportunidade
De praticar da mesma forma.

Que cada um experiencie
A felicidade de humanos e deuses
E rapidamente alcance a iluminação,
Para que o samsara seja finalmente extinto.

Estas preces foram compiladas de fontes tradicionais pelo Venerable Geshe Kelsang Gyatso.


Segundo uma lenda oriental, ao dobrar 1000 tsurus com a mente focada em um desejo, ele se realiza. Para 2011, ainda que não dobremos mil tsurus, que nossa mente se foque em desejos auspiciosos.


Dobrei alguns tsurus em 2010, e foi tão bom.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Escrita de primeiros socorros

Escrever começa como sobrevivência. Sem teorias, a cura é poesia. É a válvula que precede o escape. A salvo o autor, a escrita está livre para a literatura.

Quase me sinto autora. Em processo de alta da paciente.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um amor que empinou em lírica

Uma franja flutuante dançou no ar. Delicadamente, estendeu-se riscando a paisagem na janela. Ela identificou uma longa rabiola. Aproximou-se e esticou a mão para tocá-la. Mas por instantes, parou. A rabiola era poética. Pessoa, Bandeira, Vinícius em tiras de páginas de livros desfigurados.

Puxou o longo rabo de palavras que não completavam versos. Mas como um ponto final mal colocado, a linha rebentou. E ficou anônimo o autor revestia a pipa que jazeu enroscada no telhado.

Correu para rua embolando nas mãos a lírica despedaçada. E o rapaz, que preparava para decolar outro exemplar literário na calçada em frente, arregalou os olhos. As palavras, que se amontoavam nas mãos, sufocavam no coração acelerado. A imagem de livros dilacerados congelava a alma dela.

De onde você matou essas páginas, ela balbuciou. Encontrei no lixo, e apontou uma mochila cheia de livros velhos de capa dura. Ela tentou retrucar a frase, mas ele emendou em seguida, não leio, então coloco palavra para voar, que elas encontrem melhor destino que um livro sem gente para admirar.

Em troca dos livros, ela o ensinou ler. E a parceria, rendeu produção literária. As obras são o mais velho Manuel, por Bandeira, o menino do meio Fernando, por Pessoa e aguardam a pequena Clarice, que apesar de não ser poeta, é autora que dispensa apresentação.

Este conto é uma pequena reverência à minha xará Fina Flor que nos presenteou com uma imagem linda de seus sonhos em seu blog. Juju, obrigada e desculpe o aproveitamento onírico. Seu sonho me perseguiu e foi o melhor que pude fazer para me livrar dele.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Endividados até o próximo Natal

Minha família é católica. Mas desde que me tornei budista, eles adotaram o Cred Carma como parâmetro para gastos de méritos. Um palavrão, 10 pontos descontados no cartão, mau humor, 100 pontos, maledicência, 500 pontos a serem diminuídos da milhagem com destino à iluminação. Já virou praxe um controlar os gastos do outro.

Nesse Natal, tivemos a alegria de esbanjar méritos. Uma família de sangue espanhol, com pitadas de italiano e português, consegue estourar o crédito iluminado rapidamente à beira de uma mesa regada à bebida. Torramos em piadas, bobagens, tirações de sarro e muitos palavrões, que a boca suja é fator genético.

Mesmo indo à banca rota pelo mau comportamento, fomos presenteados com uma alegria eufórica pelo simples fato de estarmos juntos. E há muito não sentia esse prazer coletivo entre as pessoas que mais amo. Nosso último Natal, foi extrema miséria de bem-estar. E acredito que fomos inundados também pelo sentimento de vitória por dificuldades superadas.

Agradeço ao administrador de nosso cartão de crédito, seja ele quem for, trocamos os pontos acumulados pelo melhor brinde do mundo, o amor.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desejo de Natal

PRECE LIBERTADORA

Ó Abençoado, Shakyamuni Buda,
Precioso tesouro de compaixão,
Concessor de suprema paz interior,
Tu, que amas todos os seres sem exceção,
És fonte de bondade e felicidade,
E nos guia ao caminho libertador.
Teu corpo é uma jóia-dos-desejos,
Tua fala é um néctar purificador e supremo
E tua mente, refúgio para todos os seres vivos.
Com as mãos postas, me volto para ti,
Amigo supremo e estável,
E peço do fundo do meu coração:
Por favor, concede-me a luz tua sabedoria
Para dissipar a escuridão da minha mente
E curar o meu continuum mental.
Por favor, me nutre com tua bondade,
Para que eu possa, por minha vez, nutrir todos os seres
Com um incessante banquete de deleite.
Por meio de tua compassiva intençao,
De tuas bençãos e feitos virtuosos
E por meu forte desejo de confiar em ti,
Que todo o sofrimento rapidamente cesse,
Que toda a felicidade e alegria aconteçam
E que o santo Darma floresça para sempre.


Esta prece foi composta por Geshe Kelsang Gyatso Rinpoche. é recitada regularmente no início das sadanas nos centros budistas kadampa de todo o mundo." - (Extraído do Livro: Como Solucionar Nossos Problemas Humanos, de Kelsang Giatso: Tradução de Kelsang Pälsang, 2004 - Ed. Tharpa Brasil)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Psicologia, tipo assim Salão do Automóvel

- Se tudo está um caos, liga no piloto automático - ele sugeriu.
- Mas não dá, não dá. Sou modelo antigo, não tenho sequer direção hidráulica - eu desesperei.
Pelo menos a gente se esforça para manter um bom air bag e a lataria.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Zécutiva: Overbooking de pernil

Vender mais do que se pode entregar virou praxe, até mesmo em empresas Sadias. E o Natal do pessoal, arriscando ser mais magro que lanchinho de avião.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Desbussolada

Eu sei aonde ir. Tenho todos os mapas e o GPS. Mas me confundo ao seguir indicações. Perco as entradas, erro as ruas, excedo o limite de velocidade, faço todo tipo de absurdo.

Perdida. Embora conheça a trajetória. Os lugares já não deveriam parecer tão assustadores. As passagens tão estreitas. E eu tão só, a esperar por estranhos a me orientar pelo caminho.

TPM: tendência à pandismo

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Desejos fotossintéticos


Se chove aqui dentro, não chova lá fora.

Devolva-me a primavera.

Ao menos, irriguem-se os dias que verão.


InsPIRADA em Fernando e suas Pessoas

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Querido diário, hoje estou assim...

Raiva é o fator mental deludido que observa um objeto contaminado, exagera suas más qualidades, considera-o indesejável e quer prejudicá-lo.

Gasto méritos espirituais acumulados como uma compulsiva em dia de saldão. Em pequenas e grandes parcelas, reservo minha estadia no samsara para as próximas temporadas.


Daqui.

Louca, tão centrada e tão louca



Musiquinha para semana...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Zécutiva: Brincando de ser feliz

"Eu tive em poucas horas o direito da infância, sou eternamente grata". Esse foi o mais doce comentário sobre a festa de final de ano na empresa. Sem grandes pretensões, brincamos num buffet infantil, com direito a carrinho de bate-bate, La Bamba, cachorro quente e  brigadeiro. Só´para lembrar que vale a pena ser criança de vez em quando, principalmente, na chatice do mundo corporativo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O sol há de brilhar mais uma vez, ou eu surto

Perdi a minha  monja querida, tomei um fora, quebrou meu DVD player. Engordando 7 mil quilos em festas, trabalhando feito uma besta. Bati o Bat-móvel e até meu dedinho do pé dói desconjuntado.  

Do balanço das últimas duas semanas, só esforço para guardar o pôr do sol da minha janela. Mas, porra! Está rolando um baile funk no vizinho... Isso não é mais treino para iluminação, isso é prova santificação na certa. Religião errada, querida.

Respire e medite na imagem... "GUSFRABA"



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Da série, informes de nascença

Viver, aprecie com moderação.

O Ministério da Saúde devia exigir esse alerta carimbado na bunda de todo recém-nascido nas maternidades.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poeminha de biquini


As estrelas que me perdoem, mas sol é fundamental.

Obs.: Essa fofura é minha vizinha, minha colega de piscina do prédio, que penteia meus cabelos sob o sol. Dá para não ser feliz com uma lindeza dessas?


Coração inflamado

Choro é o coração a transbordar pelos olhos.  O peito grande impede um chorar frequente. Mas se o coração inflama, incha junto com os olhos vermelhos dos últimos dias.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Escrever...

É arqueologia da vida, escavando a poesia soterrada por eras dia a dia. Porque, as vezes, preciso me desenterrar para não me sentir uma dinossaura.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ilógicas do absurdo

Não deve ser à toa que intensidade rima com insanidade. Então vamos tentando encontrar o caminho do meio, ainda que ele passe por uma drogaria ou por um bar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PEC da Felicidade

O Senado aprovou o "PEC da Felicidade". O projeto de emenda constitucional do senador Cristovam Buarque (PDT/DF) inclui a "busca da felicidade" entre os direitos fundamentais do cidadão. O objetivo, segundo Buarque, seria o de "carimbar no imaginário da sociedade a importância da dignidade humana".

"Evidentemente as alterações não buscam autorizar um indivíduo a requerer do Estado ou de um particular uma providência egoística a pretexto de atender à sua felicidade", pondera o senador na justificativa do projeto, em matéria do website do jornal O Estado de S. Paulo, em 10 de novembro de 2010.

Obviamente que devemos lutar para que o Estado, no mínimo, promova algumas medidas para garantir esse direito tão maltratado entre os brasileiros. Vamos escrever para o nosso caríssimo representante, autor da proposta, para sugerir algumas iniciativas:

- Bolsa Botox a beneficiar cidadãs brasileiras caidinhas de mais de 30 anos;

- Programa Bofe para Todos a atender os solteiros do território nacional;

- Programa Meu Shopping, Minha Vida, garantia de renda mínima para consumo básico de supérfluos;

- Revisão de planos de aposentadoria em que o cidadão se aposenta aos 18 anos e goza de aposentadoria até a idade mínima para ingressar no mercado de trabalho aos 65 anos, e por fim

- Obrigatoriedade da adição de sertralina no sistema público de tratamento de água.

Terapia de Mocinha inicia esse exercício de mobilização civil. Mande suas sugestões.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Felicidade clandestina... é dizer eu te amo na fila do supermercado lotado

"Eu te amo" é o vestido maravilhoso de festa. De tão bonito, só sai do armário raramente. Preciso me vestir para festa com mais freqüência e distribuir declarações de amor com menos parcimônia. Quem me ensina diz que não há mal em ser romântica, bem pior seria não ser.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Felicidade clandestina... é emplacar gargalhadas na parada

O som que mais tenho gostado de ouvir ultimamente é o da minha própria risada. E se contar as vezes que tenho ouvido, é disco de ouro na certa. Azar de quem curte outros estilos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dias passarão, passarinhos

Um dia ou um passarinho por Juju


A vida é uma gaiola sem grades.
Aprecie o canto dos dias que voam,
pois certamente passarão urubus e passarinhos.


E essa frase me lembrou Mario Quintana:
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feliz Dia das Crianças

Para todas as crianças que resistem a não crescer dentro de nós. A minha insiste em querer bonecas, mas contentou-se hoje com um livro do Saramago. E a sua criança, o que tem pedido?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Contagem regressiva: Fall Festival


Templo pela Paz Mundial por Juju


Recebi o primeiro informativo do Festival Internacional de Outono NTK-UBKI. Será a inauguração oficial do Templo Budista Kadampa no CMK Brasil, em Cabreúva, interior de São Paulo.  No evento, nosso guia espiritual Geshe Kelsang Gyatso provavelmente fará sua última aparição pública no mundo para transmitir ensinamentos e bençãos. Será o Woodstock budista. Estão inscritas 4 mil pessoas de todo o mundo.

Os ensinamentos destes dias serão focados nas práticas de Je Tsongkhapa, Buda da Sabedoria. Ele apareceu no Tibete e espalhou o puro Budadarma, combinando práticas de Sutra e Tantra, e mostrou como construir a base do caminho espiritual, como progredir nesse caminho e como completá-lo. Ele corporifica a sabedoria, a compaixão e o poder espiritual de todos os Budas. Confiando em Je Tsongkhapa e praticando as meditações focadas nele, podemos também desenvolver e aperfeiçoar essas qualidades dentro de nós.
 
Será uma enorme alegria partilhar de uma semana com tanta gente com as mesmas aspirações, que podem ser simplificadas como alcançar a felicidade de todos. Melhor ainda ter podido colaborar pela construção desse encontro com a doação de trabalho voluntário e muitas vibrações. Ainda que eu seja minúscula, é sensacional participar de algo tão bonito e grandioso.
 
Como uma criança a aguardar a excursão do colégio, a ansiedade é chegar logo o dia 22 de outubro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Batismo de urgência

Os supermercados e shoppings tomaram o espaço dos templos contemporâneos. Mas o ambiente que melhor propicia a conversão humana à espiritualidade ainda é ambulância do SAMU.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viver é piscar, morrer é só hipótese




"- A vida da gente, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.

[...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela ultima vez e morre.

_ E depois que morre? – perguntou Visconde.

_ Depois que morre vira hipótese. É ou não é?"

[Monteiro Lobato, excerto de Memórias da Emília (1936)]


Texto resgastado depois de uma visita emocionante à Praça das Palavras do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Vale a pena para rir, chorar e se colocar a pensar sobre as piscadas e hipóteses da vida.








segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desejo e ele virá

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (Salvador-BA) por Juju


Por que sempre haverá um tempo, mas só se percebe quando parece que não haverá mais tempo. E para todos os desejos, cabe a ele permitir quais seguem ou fenecem no passado.






sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Melhor expressão da TPM

Daqui
Condenadas às trevas mensalmente.
E não me venham com esse papo que tem tratamento. Ninguém controla a fúria da natureza.
E dêem-se por satisfeitos por não exigirmos o seu sangue também.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Para os dias de luto

A Ponte


Composição: Elton Medeiros/Paulo Cesar Pinheiro

Chora
Põe o coração na mesa
Chora
Tua secular tristeza
Tira o teu coração da lama
E chora
A dor santa e a dor profana
Que Deus proteje a quem chora
Por toda tristeza humana

O homem é sempre só
O fim é sempre pó
Ninguém foge do nó
Que um dia a vida faz
Por isso chora em paz
Que a lágrima que cai
É a ponte entre mais nada
E outra vida mais

(E Deus proteje a quem chora)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Outra pergunta importante

"Quando uma aranha tece uma bela teia, a beleza vem da própria natureza da aranha; é uma beleza instintiva. E quanto da beleza da nossa própria vida é a beleza de estar vivo e quanto é uma intenção consciente? Essa é uma pergunta importante".

Joseph Campbell

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E a vida o que é, diga lá, meu irmão

Um céu sem arco-íris. Exposição Pinacoteca de SP.


Na ciência, bons experimentos começam com boas perguntas. Na vida, longas semanas começam com péssimas perguntas, do tipo qual é o sentido para isso tudo. Todas as ciências deveriam reconhecer os avanços proporcionados pelas reflexões de segundas-feiras.

A Teoria do Big Bang deve ter sido formulada numa segunda-feira, dia em que dá vontade de explodir tudo. Bem como a Teoria da Relatividade. Einstein percebeu como nesse dia o tempo passa tão devagar em relação ao final de semana. Freud deve ter descrito boa parte de suas teorias de repressão psicológica na segunda-feira.

De qualquer modo, questões filosóficas sempre me infernizaram, independente das segundas-feiras.  E a busca de respostas para o sentido de dias que se enfileiram tem se tornado cansativa. 

‎"Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos",  simplificou Joseph Campbell, estudioso de mitologia norte-americano.

Talvez seja a vida um arco-íris. Um equilíbrio delicado de circunstâncias. Ninguém questiona a finalidade. É apenas inevitável maravilhar-se com o resultado. Uma ilusão de óptica dependente da posição do observador, impossível localizar onde começa ou termina.

Convido minha alma a abafar a curiosidade e apenas deleitar-se com as cores da paisagem.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Moça em Sampa: Pinacoteca de São Paulo

Para dias de olhos famintos, a Pinacoteca de São Paulo é lugar para saciar sentidos e apaziguar pensamentos num banho de luz e formas que lava a alma.

Num sábado pela manhã, um passeio pelos corredores da Pinacoteca produziu as imagens, a seguir, que a minha humilde câmera de celular puderam captar.


Inaugurada em 1905,  a Pinacoteca, atualmente, ocupa o prédio inicialmente construído para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. A edificação tem jeito templo e interiores de fábrica, cercada pelo Parque da Luz e a Estação da Luz.

 



A tarefa do museu contemporâneo é reafirmar a individualidade, espiritualidade e o homem como agente criador único e insubstituível, segundo apresentação da própria instituição. E, principalmente, a forma humana está ali delicadamente recriada.

 


A visita vale como homilia estética e comprova que, na arte, o humano também é lugar do sagrado.



Pinacoteca do Estado de São Paulo - Praça da Luz, 2 São Paulo, SP - Tel. 55 11 3324-1000

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aviso de ordem de despejo

Nos últimos meses, fui tomada pela vontade de me entregar a conhecimentos inéditos. Por três meses, virei piloto de aulas-testes, em diferentes escolas de dança, yoga, pilates. Até me encontrar, rodei horas de aulas que renderiam um guia sobre como ser um praticante de aulas-testes na cidade de São Paulo.

O corpo físico e sedentário agradeceu. Daí o espírito exigiu atenção. Foi nova saga. Terreiros, bruxas, templos, terapia no consultório e aqui no blog. Até encontrar práticas que me satisfizessem, cogitei tomar o Daime e pular de para-quedas, em seguida.

Corpo e mente se ocuparam, mas seguiram inquietos.  Ainda me enfio em práticas malucas e sem sentido. A última me rendeu um banho de energia pesadíssima. Finalmente, minha alma mais que cansada cogitou despejar essa inquilina barulhenta e inquieta de mim mesma.

Só tenho a pedir à proprietária que me perdoe e me permita mais algum tempo. Não tenho fiador a recorrer, mas conto com o crédito acumulado pela nossa convivência até então. Aceito penalidades. E prometo cuidar direitinho dos nossos bens. Mas por favor, vamos esquecer definitivamente essa ordem de despejo e renovar nosso contrato, ok?

Torçam por mim ou me indiquem uma imobiliária de almas e um bom corretor. No momento, não faço idéia para onde iria.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Receitinha para emagrecer




Coma de tudo, só não engula.

Sábio conselho ouvido numa coluna de Salomão Schvartzman, na Rádio Band News FM.  

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Filsofia de cristaleira



Ser feliz é quebrar o copo e libertar o vazio que o preenche. Ou entender que copo vazio também está cheio de ar.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Zécutiva hidratando a libido da equipe


Na janela, ao lado do bebedouro do escritório, é possível espiar os rapazes da empresa do outro lado da rua. No final do expediente, eles passaram a malhar numa academia improvisada, entre as mesas de trabalho. Com direito a arrancar a camisa e fazer pose.

Foi o programa de saúde na empresa mais barato e simples que eu já conheci. Desde então, a mulherada aqui anda muito mais hidratada e inspirada.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A rabiola e uma quase lição de desapego



Orgulhosa que estava com a pipa. Era de plástico, com uma linda boneca desenhada. E uma rabiola enorme de tiras plásticas coloridas. Corria no quintal para empinar o brinquedo. Mas me interessava mais ouvir o plástico do rabo colorido arrastando nas lajotas verdes.

Assistindo aquele sem fim de corridas sem vôo, meu avô cortou a rabiola. Sem o membro desproporcional, ele me mostrou orgulhoso a pipa voar alto.  Eu vi minha pipa, lá no alto, bem longe de mim tão pequena e presa ao chão. Chorei, gritei.

Como castigo, fiquei sem almoço e fui mandada para o quarto. Ali presa, debrucei-me na janela para espiar outras pipas no céu. Encarapitada perigosamente no segundo andar da casa, fui surpreendida pela empregada, que lavava roupa no quintal. Negra que era, empalideceu e gritou: acode que a menina vai pular lá de cima.

Nesse dia, eu quase aprendi que tem coisa feita para voar para longe da gente, já que se for coisa querida, a gente se amarra pesadamente como a minha rabiola. Pois depois dos berros, em pouco tempo, ganhei a atenção de olhos assustados, o almoço e a promessa de nova e gigantesca rabiola.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Feliz Desaniversário


Encerro o pior e melhor ano da minha vida. Quem chega até aqui é muito mais perfeita que aquela que começou a jornada arrastando pedaços pelo caminho. 

Quando o trajeto começa por falta de opção, ao menos, opte por uma trajetória incrível. E foi assim. Uma separação violenta, e um ano aprendendo a viver plenamente comigo mesma. Encarei um trabalho árduo, mas encontro paisagens muito mais coloridas.

 Ainda há muito que trilhar. Levando intacta a capacidade de amar. E hoje, já me pergunto como o pior talvez tenha sido o melhor acontecimento no meu crescimento pessoal. Escapismo? Ou aprender com as dificuldades que a vida oferece? Pouco importa.

Inicio o que espero ser um dos melhores anos da minha vida.  Seguindo assim, só por hoje, feliz.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sobre quebrar a cara

Eu explico a quem perguntar que caí de moto, uma Harlley linda. Mas o Ministério da Saúde adverte: não misture álcool com yoga. Não tente fazer demonstrações idiotas em eventos familiares. O resultado é um ralado gigante na testa e no nariz.

Foi um lembrete. A qualquer momento, estou apta a quebrar a cara. Mas tudo cicatriza. E rende histórias.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Exercício de ser feliz

"Não faça do hábito um estilo de vida" orientou Clarice Lispector. Tenho o hábito de não cultivar hábitos mas, ultimamente, abri uma exceção. O único hábito que eu cultivo é ser feliz.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sou caipira, pirapora

Cafunga baixinho num rincão da minha alma um caipira matuto. Ele pede bença e se aboleta. É quando viola risca ou voz canta a terra e coração.  Numa gostança de mato, causos e bulé de café fumegando no fogão de lenha. Pingos d´água querem correr dos olhos. 

A querência comovida é melancolia da pureza que só caipira tem. Eu que sempre fui caipira da cidade bebo de Tonico e Tinoco, Catulo da Paixão Cearense, Pena Branca e Xavantinho, Inezita, Rolando Boldrin, tantos outros. E João Pacífico.

Ah! João lembra meu avô, que partiu antes do combinado. Seu jeito de falar, piadista, simples mas tão doce, cabelinhos ajeitados para trás.

- Neto de um burro - ele ralhava quando a gritaria dos meus irmãos atrapalhava a calmaria da tarde.

João Pacífico tocava o músico. Não sabia tocar instrumento, mas compunha como só com o auxílio de um violeiro que ele instruía. Meu avô tocava minha mãe. Ainda moleca, ela ganhou um acordeon de madrepérola dele, comprado com muito esforço. Um dos instrumentos mais lindos que já vi. E minha mãe virou o MP3 dele. Era só visita chegar, a menina tinha que mostrar o talento que ele estufava. Por conta da paixão do meu avô por João Pacífico, minha mãe também ganhou nome da cabloca mais sacana da música caipira . A famosa Cabloca Teresa. 

Talvez essa pequena homenagem tenha marcado em mim esse amor pela música da terra. E sempre que escuto uma toada caipira, aperta. Talvez porque simplicidade não é coisa pequena para caber fácil no peito.








terça-feira, 24 de agosto de 2010

O relógio do meu avô

Meu pai, todo dia, pela manhã e tarde, dá corda ao relógio de bolso que foi do seu pai. Espio seu ritual, sentado em sua mesa de trabalho. O brilho da prata restaurada, luxo que um ex-pedreiro pode adquirir. O barulho das engrenagens solicitadas.

E é a minha alma que pulsa comovida. Porque ao coração também se dá corda, enlaçando ternura e admiração que tempo de relógio algum pode arrefecer.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quando balada rima com roubada

Desconjurei na última balada. Um jazz descolado. Som sensacional. Vinho bom. Amigos queridos. Mas barbudos mil.  Gente requebrando até até o chão, como uma roda Exú. Propaganda de festa na PUC. Papo furado político. Oh, god! O ápice foi a garota de poloina vermelha. Se o esquadrão da moda fizesse uma parada ali, um camburão não ia ser suficiente.

E eu só pensava, preciso detetizar minha alma bicho-grilo que insiste em me atrair a esses lugares. Sai Vila Madalena, entra Vila Olímpia. Ou seriam sinais da idade?

Como diz um amigo, vou terminar fazendo balada no tai-chi-chuan da terceira idade do SESC (com direito a estacionamento de andador).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Muitas perguntas

Quantos vestidos novos cabem no armário repleto de semi-novos? Quantas mudanças fazem a revolução? Quantas andorinhas são necessárias para derrubar um avião?

O problema dos rótulos é que toda e qualquer mudança que se faça no produto precisa ser muito evidente para que as pessoas percebam. Ela tem que gritar colorida na embalagem. E qualquer indício do produto antigo basta para que chutem o pau que mantém sua tão desejada mudança.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Lenineando em horas invertidas


Tudo parece mal. Somente aceitar, é normal. Que a vida é uma miragem. E o tempo exige pressa. Sem esperar a cura da dor.

Adianto o meu relógio. Na paz da solidão, ainda quero estar amada. Saudade de um tempo não vivido. Porque a vida é tão rara.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu podia estar matando...


As perebas na alma ainda não estão completamente curadas. Mas ninguém mais tem a caridade (ou o saco) de perguntar se elas coçam ou não. Não sou a Amy Winehouse, não canto como ela, mas tenho recaídas. Principalmente em noites geladas de segunda-feira. É a fase mais temida do rehab. Lamber as feridas muito só, ainda que algumas não alcance.

Eu podia estar matando cachorro a grito, ocupando as linhas do CVV. Sugestão da caixa do supermercado: plantas são ótimas para conversar. A mulher tinha cara de pirada. Desconsiderei aparências. Considerei um ótimo procedimento para não afastar os amigos que ainda me emprestam os ouvidos. E me achando a menina do dedo verde, carreguei esbaforida vasos e vasos para casa.

Felizmente, a pimenteira e o bambuzal, meus interlocutores preferidos, ainda não ousaram me contradizer. E basta eu abrir a boca que o adubo de ambos está garantido. E bambu dá uma rima boa...

domingo, 1 de agosto de 2010

Pouco é muito para ser feliz

Faxina na casa revirada de amigos, samba na beira da pia, na frente do espelho, uma cerveja, várias geladas. Ficar pensando melhor. Sol na varanda, pimenteira brilha. E eu olhando a vida sorrir para mim.

Felicidade clandestina é... batom com brinquedos

Beijar o sábado com batom vermelho. Sorrir sob o sol de sapato novo e amiga velha. Abraçar a tarde brincando por horas na loja de brinquedos mais linda do bairro. Descobrir que toda mulher precisa manter uma caixa de maquiagem ao lado de uma caixa de brinquedos para ser feliz.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para reconhecer um psicopata

Se você convive ou conviveu com psicopatas como eu, aprenda essas regrinhas para tornar sua vida menos perigosa. Psicopata não é apenas o serial killer ensangüentado. É todo ser humano sem sentimento de culpa e remorso e sem empatia pelo outro. São calculistas, mentirosos, egocêntricos, megalômanos, manipuladores, impulsivos, inescrupulosos, irresponsáveis e só visam o interesse próprio.

Não se engane. De malucos, não têm nada. Eles não babam e nem rasgam dinheiro. Sabem que estão infringindo regras sociais, e que a vítima sofre. Não apresentam problemas cognitivos ou deficiência de raciocínio. A única deficiência é emocional. Não há afeto pelo outro.

Estão em todos os meios sociais, e são capazes de passar por cima de tudo para satisfazer seus interesses por poder, status e diversão. Geralmente, são charmosos, inteligentes, sedutores, bons amigos, bons amantes, bem-sucedidos e poderosos. Cometem pequenas ou grandes fraudes, traições e até crimes em todos os âmbitos da vida. Mas sempre cuidando para não resvalar na boa imagem. Deixam um rastro de destruição por onde passam.

Em alguns momentos, fazem cena do coitadinho perseguido. São excelentes atores, dirigidos pela maldade. E não mudam pois não conhecem constrangimento moral autêntico. A culpa é do outro, do mundo, da sociedade, dos fatos, de um espírito que baixou, um demônio, caboclo etc.

A psicopatia floresce como chuchu na nossa sociedade individualista. Somos treinados a sermos mais espertos que o outro e levar vantagem em tudo. Altruísmo é para babacas. E nos acostumamos com a estética da perversidade. Ser sacana é até glamuroso. O psicopata deita e rola.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa tem um trabalho interessante de desmistificação da figura do psicopata. Vale a pena conhecer. Não é fácil reconhecer, mas temos que nos esforçar para detectar essas pessoas. Economiza sofrimento nesses dias em que o outro tem cada vez menos valor. Difícil é manter o encanto reconhecendo tanto mal ao nosso redor. Tentemos.

Mais em http://www.medicinadocomportamento.com.br/.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cred-Carma, passa a régua e fecha a conta

Não acredito em fórmulas. Nem em matemática declaro fé. Números infinitos me parecem irracionais. A finitude é o resultado encontrado independente do raciocínio.

Assisti o lixeiro lançar no caminhão o saco azul, que eu acabara de depositar numa esquina qualquer da cidade. Saí dançando de alegria pela rua.  Restos esquecidos de uma história feneceriam num aterro fedido da cidade.

No Cred-Carma, acredito que meus débitos estão quitados com juros. Encontrei o cobrador das minhas contas, e apesar de um certo enjôo, ficou a certeza que da divisão não resta nada. Melhor teria sido somar, mas na vida temos que aceitar aqueles que só aprenderam a subtrair.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Felicidade clandestina é... abusar da alegria alheia

Quem consegue alegrar-se pela realização de um amigo entende que felicidade nunca se esgota se ela for multiplicada e dividida. Nessa hora, não tem problema abusar do que é do outro. É um clichê. Mas é um prazer que raramente saboreamos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Onde o invisível cega


TVs captam ondas de som e imagem, radares movimentos, ouvidos sons, médiuns mensagens. É preciso de receptores adequados para captar sinais invisíveis.

Debaixo de um lençol vermelho, Alessandro, 31 anos, morador de rua, gemeu e tremeu de dor, estirado na calçada. Muitos pés desviaram da ferida rubra que macularia sapatos. Alguém ouviu o gemido, chamou o resgate, aguardou.

Ambulância chegou, multidão juntou. Alessandro seguiu, invisível. Socorristas removeram com enfado uma casca de ferida que sangrou no coração de quem enxergou.

Condolências à cegueira cotidiana. Melhoras ao Alessandro.

Pedras de saber feminino, as pérolas estão com porcos

"Antes não me importava de dividir o motel, agora não me importo de pagar. Fazer o que se eu acho que pobre é que tem a pegada e gosta mesmo de mulher. Está duro? Delícia, vou correndo".


Depoimento da minha amiga, que devia ser o nono elemento do CQC (atenção, produção, é só pagar em vinho para ela)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

S.O.S., I see freak people



A humanidade é inviável. Assustei-me quando ouvi as palavras de um colega de trabalho. Ele reproduzia uma frase que não me canso de repetir. Disse de boca cheia e finalmente concordando comigo. Tinha um seguidor. Medo.

Minhas palavras são duras, muitas delas palavrões impublicáveis. Mas no fundo do âmago profundo submerso do meu ser ainda acredito na iluminação de todos e não na eliminação (está bem, confesso, riria da morte de alguns canalhas).

Apesar de toda lascada por dentro e por fora, ainda sou a mocinha que acredita em algum lugar além do arco-íris. Tenho a riqueza de ter encontrado muito filho da puta (ops, sempre escapa) como guia nesse caminho tão rico que é viver com a determinação de alcançar a felicidade para todos.

Geshe Langri Thangpa foi um mestre tibetano, no século XII, que nunca mostrava a dentadura num sorriso. Quando era perguntado por que, ele dizia que sempre tinha em mente os infindáveis sofrimentos humanos e não tinha motivos para sorrir. Ele escreveu os lindos versos abaixo, que traduziram seu grande amor e compaixão por todos os seres vivos.

Sua contribuição tem sido muito rica para os meus últimos meses. E já me disseram que palavrões soam bonitinho na minha boca.


Oito Passos para Treino da Mente
Geshe Langri Tangpa

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:
1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Só na Single Lady

Passei batido pelo rock nacional, pop internacional, punk radical. Cresci ao ritmo de choros, serestas, boleros e MPB.  Canto em coro com mariachis de qualquer bodega mexicana. Sei letras de hits de Orquestras Tabajara e afins. E na roda de samba,  os meus pedidos são os mais empoeirados.

Sou uma senhora de 70 anos quanto às minhas memórias afetivas musicais. Hoje, escuto Beyoncé e Lady Gaga. Sou uma velhinha feliz e rebolante. Cada dia mais gaga.

Alguém explica? É a pomba gira, só pode ser.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Zécutiva fraldas Pampers





Com alegria infantil, monto pequenos castelinhos de problemas corporativos, na minha mesa. Pastas, documentos, fotos formam torres tortas de rolos, abacaxis, pepinos, zicas de todas as complexidades, que por vezes tombam para lembrar que ali estão. Mais que um Sergio Naya de problemas, nesses dias, sinto-me uma fabricante de fraldas, daquelas noturnas.

domingo, 18 de julho de 2010

Para quem quer ser Burle Max

Imagem HB Brindes

Somos jardineiros de nosso mundo interior. Seres humanos possuem a boa fortuna de poder selecionar sementes de seu jardim e preparar o terreno de seu plantio.

Cientistas e jardineiros concordam que todos os fenômenos no universo são baseados em causa e efeito. Plantar é criar causas. Nem sempre a colheita é imediata. Os resultados podem aparecer em outras vidas, já que o jardineiro pode bater as botas a qualquer tempo. Mas nossa vida atual só é significativa quando a semeadura é concenciosa.

Ações virtuosas são sementes que florescem em felicidade. Pensamentos e ações impróprias são ervas daninhas, que estiolam a alegria de quem as semeou. Se o terreno é árido, obstruído por entulhos mentais, é preciso purificar. Abrir o jogo e confessar seus erros ao longo de todos os tempos. Arrancar as tiriricas pela raiz.

Depois da limpeza, arar a terra com poderes da confiança em seres sagrados, do arrependimento, das forças oponentes e da promessa de não repetir ações não virtuosas. Resta  nutrir a terra, acumulando méritos e dedicando tais méritos à felicidade de todos. Daí toda paz interior floresce e o resultado é fonte inesgotável de alegria.

Que jardineiro você que ser?

Este é um resumo sentimental das aulas do Sutra Mahayana dos Três Montes Superiores, que aconteceram no Centro Budista Mahabodi. Dedico esse pequeno relato (nada original, são palavras de professores e principalmente de Buda) à alegria de todos. Agradeço a todos que deixarem seus jardins mais coloridos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O que vai crescer quando você for?


O que vai ser quando crescer? Em frente à folha de papel branco para a redação escolar, Nicolas viaja às aventuras infantis recentes. Uma epopéia com sua turma desastrada de amigos, iniciada quando ele desconfia que sua mãe está grávida, ou seja uma grande ameaça à sua soberania familiar. 

O Pequeno Nicolas (França, 2009) é um filme delicioso de Laurent Tirard. Nicolas teme que seus pais o abandonem na floresta, ao nascer o novo irmãozinho. E bola soluções mirabolantes para se mostrar imprescindível à família e  tentar eliminar o problema.

Da doçura e maldade das trapalhadas das crianças, transborda uma ingenuidade feliz. Deixa qualquer adulto a se perguntar: onde eu perdi a poção mágica? A fantasia que deixa tudo mais leve e divertido, que nos permite enxergar saídas impensáveis para resolver problemas reais e imaginários. E afinal, que eu saiba, o medo de ser abandonado na floresta persiste até lá pelos 197 anos de idade.

Nicolas, como eu, conclui que o melhor mesmo é só tentar fazer as pessoas felizes, quando crescer. Afinal, a gente nunca cresce o suficiente para ser alguma coisa definitiva. Ou a gente nunca é o bastante para crescer na mesma medida. Mesmo que ogros peludos, de olhos vermelhos, com duas carreiras de dentes, travestidos de gente tentem te largar no meio da floresta, ser feliz é o único meio de ser e crescer.

Nicolas, me passa um gole da sua porção de força de mentirinha! Estou pronta até para o piriri colateral.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Felicidade clandestina é... festa na cozinha

Cheiro doce de bolo no forno, sopas fumegando nas panelas, garrafa de vinho esvaziando, conversa sem nexo, Beatles cantado em coro, cafezinho para despertar. As melhores festas sempre acontecem na cozinha. É lá que o calor do fogão aquece corações e tempera dias melhores com comida para o corpo e alma.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu vou de maquiagem para mulheres manguaceiras



A moça resolveu minhas dúvidas de maquiagem para esse feriadão. E a pantufa de jaca no pézinho. 

Comecei bem, saí hoje toda linda de vestidinho azul. Meia calça com um enorme rombo, que só percebi no carro. Bagaceira.

Super divertida a Carol, quem quiser conhecer o trabalho http://carolzoccoli.com.br.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Não se reprima e veste logo a jaca

Nada do que eu disser ou fizer poderá ser usado contra mim. Sou ininputável puta da vida. Vesti minha pantufa de jaca e saí por aí.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Adeus vuvuzelas

Não vamos comentar muito para não incentivar sucetibilidades. Mas vejamos o lado bom, as vuvzelas vão para o fundo do baú.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hoje estou assim... por quem os sinos dobram

Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
John Donne, poeta inglês do século XVI

"É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado,
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais"

Na versão do eu fumeta preferido, Raul Seixas

terça-feira, 29 de junho de 2010

Invertida sobre a cabeça

Alcancei uma pequena conquista muito desejada. Finalmente, passei a praticar SwáSthya Yôga. Há alguns meses venho frequentando aulas de preparo para a técnica. Ontem, finalmente, fiz minha primeira aula no novo nível de Yôga, com direito à calorosa recepção do professor e alunos.

SwáSthya, em sânscrito, língua morta da Índia, significa entre outras coisas auto-suficiência, saúde, bem-estar, conforto e satisfação. Não nada há nada que eu deseje mais que SwáSthya.

As atividades físicas nas aulas, geralmente, terminam em treinamento da invertida sobre a cabeça.  Mais ou menos como plantar bananeira com cocoruto no solo. É uma posisção que busca irrigar o cérebro, bastante usada em meditações.

Venho vivendo há meses com a cabeça invertida. Assim como nas aulas, já tenho conseguido me equilibrar, algo que nunca sonhei anteriormente. Um grande fluxo de oxigênio, ainda entrecortado por muitos desequilíbrios. Importa praticar e praticar, até que a inversão se torne uma posição confortável de se colocar no mundo.

SwáSthya a todos!


P.S.: Só para registrar, parabéns Pulguenta querida! Nesse dia e todos os outros, me alegra muito pensar em você e ser sua amiga. Te amo!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

De despropósitos e propósitos

Desde muito cedo, viver não me foi natural. Sem motivos, sem pobreza, defeitos, feiúra ou desprezo que justificasse. Uma tristeza desavisada desabava em meio a bonecas, desenhos, aulas, brigas, paqueras, almoços, festinhas. E a sessão da tarde era o exercício de fenecer outro dia.

Não vim ao mundo a passeio, vim para trabalho de campo, mas sem conhecer os objetivos da pesquisa.

Dos despropósitos da vida escorrem propósitos. Mas não há meio de permitir-se respirar sem acreditar que, ainda que em terras arrasadas, a natureza por si preserva capacidade de recuperação.

Reabrir as janelas do mundo

O mundo é do tamanho das nossas possibilidades. Na medida que elas encolhem, o planeta cabe inteiro em uma pequena cidade perdida na alma. Para conquistar fronteiras, vou sair rodar o mundo.

Espero abandonar em além-mar  a cidade morta em que me perco, e reencontrar novos territórios de possibilidades. Começam os preparativos...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Confissões sobre a Copa

Assistir jogos da Copa é cumprir o protocolo para frente Brasil, Salve a Seleção. É como transar com aquele cara que você não está mais tão afim.

Sem gol durante a partida, é pior ainda, transar e não gozar. Dá um sono. Mas, malditas vuvuzelas nos despertam no pesadelo. Para piorar, achava que o Cristiano Ronaldo era mais gatinho.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Abraçando o capeta

Quando morre alguém querido ou significativo ao mundo, listo de imediato um possível obituário de pessoas que deveriam substituir ou compensar a perda. Um rol de vasos ruins -  canalhas, políticos, assassinos, ladrões e toda gente do mal próxima ou distante-, que, na minha cruel vaidade, deveriam estar a sete palmos adubando a terra.

O último que mereceu meu obituário foi José Saramago. Comentei para algumas pessoas que ele deveria ter cedido a vez para fulano e sicrano. Ganhei o troféu capeta em forma de mocinha. Tentaram me convencer a abandonar esse pensamento soturno, pois só demonstra que eu sou infeliz. Achava que só demonstrava o que eu penso.

Juro que não desejo a morte de ninguém, só penso que a fila deveria ser melhor organizada por alguém mais criterioso, mesmo que a próxima deva ser eu.  Daí me vi sozinha nessa. Só eu penso isso? Só eu declaro minha raiva?

Uma amiga me sugeriu uma caixa do grito. Uma caixa de sapatos, cheia de jornal dentro, com um rolo daqueles de papel de cozinha para fora. Daí você grita dentro, até passar a raiva. Vou usar logo uma caixa de geladeira e, provavelmente, vou ficar afônica uns dois meses. Pois do jeito que vai, logo vou abraçar o capeta e dançar rebolation.

P.S.: Saramago, perdoe-me por meus grunhidos, o mundo ficou mais imbecil sem sua lucidez.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Por uma vida barata

Invejava a inconsciência das baratas. Satisfazer-se em ser somente corpo e carapaça. Não mais sentir. Porque sentir é câncer, que toma a alma em metástase. E o tratamento é irônico de tão ruim quanto a doença, matar células e  todo entorno.

Maquiava os olhos. Não suportaria enxergar o mundo sem cílios emplastrados de rímel. Era somente seu jeito de se fazer barata. Como as antenas inquietas do inseto, pestanejava cílios marcados para descobrir o mundo.

Descobriu homens, mulheres, crianças, cidades, mares, camas, paisagens. Depois de centenas de tubos de rímel, encontrou bem na sua cozinha uma barata que surgiu da obra do apartamento vizinho. Finalmente, passou noites tranquilas em frente ao espelho contemplando a companheira.

Por milhões de anos, a barata desenvolveu sua estupidez esculpida na capacidade insuperável de sobrevivência. Mas ela não aprendeu. Encerrou em veneno com bolachas. Foi encontrada, cercada por dezenas de baratas. Finalmente, seu barato, era somente um corpo, sem carapaça.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Band aid

Casca de ferida na alma. Não resvale. Se cutucar, sangra. Quinas de situações, sentimentos ou lembranças colocam à prova a cura. Ainda quero correr livre de bandagens, exibindo orgulhosas cicatrizes.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Lispectoreando o Msn: Não mijem na minha piscina

Um bate-papo teclado, no fim de um dia gelado:

Juliana diz:
Ai, voltei ao tédio pasmacento, alguma sugestão de cura? Acho q vou pular de para-quedas.

Marta diz:
Ah Ju! Mas, então investe num projeto melhor. Já te falei.

Juliana diz:
Tentando! Fazendo de tudo. Mas também é ressaca pós um enorme trabalho.

Marta diz:
Hum. E a sua iniciação no budismo?

Juliana diz:
Mudei de idéia por enquanto.

Marta diz:
Eita. Então, vc deve estar mais calma

Juliana diz:
Estou, o tédio é o sinal disso, bem mais calma. Incrivelmente refeita. Nem acredito q um dia o novo eu caiu na minha cabeça escovando os dentes.

Marta diz:
Foi escovando os dentes? Mesmo? Acho poético.

Juliana diz:
Foi, olhei no espelho e falei: chega de choramingo! Que merda, vc está uma chata. Vc nem queria casar sua louca. Aproveite a sua liberdade, vc ganhou uma nova vida. Vc está livre. E fiquei feliz. 

(Silêncio ou falta de letrinhas na tela)

Juliana diz:
Foi assim.

Juliana diz:
Juro.

Marta diz:
Bem lispectoreano.

Sob a concordância da interlocutora dessa conversa, esse blog tem a profundidade de uma piscina infantil, daquelas de plástico de jardim. Mesmo assim eu mergulho de cabeça e quase me afogo. Quem quiser mergulhar junto, cuidado, é raso. Peço somente, não façam xixi na água.