quarta-feira, 9 de março de 2016

Se a vida parece aquele moleton velho...

"Não se deve julgar um livro pela capa, a não ser que seja um livro de contos de fadas", de uma mocinha de 10 anos, durante um jantar, em que os adultos apenas lhe sorriram suspirando. Uma doce esperança a se acalentar em uma vida tão sem magia essa de gente grande.

Nos próximos dias, seria apenas mais um ano que completo, mais um capítulo de 12 meses no meu conto sem fadas chamado vida. Mas dessa vez com um leve incômodo de não mais esperar pelas fadas. Alimentando um enorme de desejo de sair em busca de ser meu próprio herói.

Leva tempo para a gente perceber que a vida começa a todo momento. E ela é essa vida mesma que a gente está usando todo dia. Não tem mais planos para um futuro feliz por que o futuro já é hoje. Não tem vida guardada no armário para aquele momento especial. E se a vida não lhe cabe, não está tão colorida quanto deveria, saiu de moda, reforma.

Vida não tem etiqueta, vida em si é só magia, sem fadas. É aquele pedaço de tecido que a gente tem que moldar, alivanhavar e finalizar a todo momento. Herói é todo aquele que costura, rasga e remenda a própria vida. Sem medo de sair de moda ou de, por vezes, ficar um tempo nu por aí.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Para o meu querido Fernando

Dia 19 de agosto, teve uma festa de aniversário. Um bebê sorri. Ele vai ser sempre anjo, embora tenha nascido grande por tudo o que nos ensinou.
Nós seremos sempre saudades por tudo que sempre vamos sempre lhe amar.
Parabéns ao meu sobrinho Fernando.
Parabéns ao meu irmão e minha cunhada pela coragem de manterem seus lindos corações pulsando.
Amo vocês!

terça-feira, 21 de julho de 2015

zécutiva...

Só tenho a dizer que tem dias que simplesmente o trabalho não rola, por que se trabalhar fosse bom chamava sexo. E tento me esconder na minha salinha, mas o telefone insiste em tocar. Para piorar é um toque ridículo de Jingle bells, que eu não tenho menor ideia de como o coloquei e menos ainda de como tirá-lo.

Papai Noel, eu só quero ganhar na loteria. E essa gente que diz que, se ganhasse, continuaria trabalhando, devia mesmo é ser proibida de jogar. Não sabe brincar, não desce para o play e deixa a chance para outro.

Bom que até lembrei de escrever nesse pobre blog abandonado hoje.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Tira-manchas

Passei bons quartos de hora do domingo tirando manchas de vinho de uma toalha branca. Ela aguardava há semanas minha disposição. Tanta mancha para tirar e pouca solução que resolva.

Palavras cortantes sempre carreguei nos bolsos. Enquanto rasgavam o outro, desnudavam também as pelancas horrorosas da minha alma. 

Passaria muito tempo costurando aquilo que picotei. Não haveria linha para tanto remendo. Nem água sanitária que apagasse todos os erros.

É duro enxergar a porta e não achar a saída para os meus erros. Ver os defeitos em mim e apontar nos outros. Mas tô tentando. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Puxadinho do meu coração

Ainda acentuo as ideias. Sou apegada ao trema. Agora, travessão caiu em desuso. Dois pontos quebra o tal fluxo do texto. Não suporto as mudanças em algo que já considero perfeito. É como permitir plásticas numa mulher linda. Mas essas foram as descobertas chocantes da minha ida a um encontro de aspirantes a escritores. Mas eu não sou Saramago. Ah! Então meu texto é clássico.

Comecei a dar aulas num curso de alfabetização de adultos. Digo de boca cheia aos meus alunos que "se enamorem das palavras, contemplem suas sílabas, aproveitem seus sons". E saboreio a delícia de ajudar alguém a escrever o próprio nome, vislumbrando milhares de palavras que dali virão. Ou ensinar-lhes o significado de uma nova palavra.

Sou chamada de professora. Um novo eu que descobri me transbordar de alegria, graças ao encanto da língua. Por que não me sinto à vontade com a frieza de ensinar matemática. O que me importa calcular quanto dinheiro falta ao João, quando podemos formar milhares de palavras com algumas letras?

De uma colega escritora, ouvi que só falta eu me assumir escritora. E logo que ela falou, minhas bochechas coraram como se eu estivesse presenciando um momento de fecundação. Não sei se meu eu escritora de fato vinga. Por que a minha escrita não tem arquitetura e nem gestação. É um mero puxadinho do meu coração.

terça-feira, 31 de março de 2015

Procura-se um coração duro

Tem dias que acordo e me pergunto se dormi em cima do coração. Ele acorda todo amassado e custa a bater.

Abro a caixa amarrotada que guarda tão judiada peça. Mas percebo que não tem recheio. Coração vazio amassa que nem pacote de papelão.

Procuro estofo que ampare suas paredes. Mas quem se interessa em estofar um coração? Não acho quem se interesse pela peça.

Vou tentar um coração de estrutura mais dura, que não se deforme tanto com os vazios que insistem em me incomodar.

terça-feira, 17 de março de 2015

I wish you a happy new year!

O inverno do meu ano termina. Amanhã, terei vivido mais quatro estações. No fluxo das folhas que nascem e caem, renasço e morro todo dia.

E na cegueira de noites longas, ainda aponto o tempo. Tem manhã que é euforia de verão. Há tardes pensativas de outono. Todo o clima cabe num dia.

Mas ainda, quero fazer de todo meu ano uma longa primavera, sem me importar com os dias, sem esperar seus frutos.

segunda-feira, 16 de março de 2015

O dedo e a Lua

"As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

Conto Zen

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Da arte de perder

Já perdi tanto que hoje encubro as ausências com uma alegria moldada. Seguro firme meu sorriso de plástico. E porto olhos em recortes bem pequenos que só possam mirar para frente. 

Das memórias, preferi inventá-las a guardá-las.Inventei primeiro aquilo que um dia foi dor e desalento. Reservo sem retoques apenas o que me diz quem sou.

E sigo  assim cada vez mais hábil na arte de perder. Por que o que começou como acidente, desenvolveu habilidade e se tornou um hábito.

Sou um apostador na mesa de pocker de um cassino escuro, numa tarde de quarta-feira. Sempre dobrando as apostas na esperança de recuperar o fracasso da rodada anterior.

E embora sempre doa, viver é acostumar-se com a latência da perda.



Uma certa arte – Elizabeth Bishop (tradução de Nelson Ascher)
A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

No meio do caminho, tinham umas pedras

Eu tinha muito pavor de fazer caminhadas em trilhas na natureza. Sentia uma gastura enorme de não conseguir chegar ao fim. Era medo de me cansar no meio do caminho, de me machucar, e descobrir que a jornada da volta seria tão longa quanto ao caminho que me levaria ao ponto final da trilha. Esse ponto de não ter como voltar atrás me desesperava. Ainda mais porque eu não conseguiria chamar o resgate, que me levaria de helicóptero direto ao Hospital Santa Catarina, no coração da avenida Paulista.

Assim fiz trilhas na serra da Bocaina, na serra do Mar - foram as maiores e mais espetaculares. Mas sempre com uma espécie de pânico que não me deixava gozar das paisagens, cachoeiras, cheiros e sons da empreitada. Na trilha de mais dias, na Bocaina, eu consegui tomar mais banhos nas paradas de pouso do que se estivesse na conforto da minha casa. Era a necessidade de estar limpa e penteada para encarar mais um dia embaixo de chuva, escorregando nas pedras enlameadas. Na serra do Mar, eu sempre fui a última, reclamando do cansaço para uma turma de velhinhos aposentados que nos acompanhava.

Mas o tempo me ensinou a aproveitar as trilhas. Aprendi a ter tranquilidade para curtir o caminho, mesmo estando ciente de todos os riscos e esforços a serem enfrentados. E cada pequena escalada, ralada no joelho e banhos de cachoeira tornaram-se grandes satisfações em encarar esses pequenos desafios.

Dessa forma, uma pessoa descoordenada como eu pode seguir adiante por trilhas acidentadas aproveitando cada pequena superação. Não, eu não vou escalar o Everest para entender melhor o sentido dos desafios da vida. Já está de bom tamanho esse micro aprendizado das minhas pequenas aventuras aliada à minha grande habilidade de trupicar nas menores e maiores pedras do caminho.

E assim, trilhemos.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Terapia de boteco

- Quando o atendimento melhorar, a gente para de vir aqui.

Todos na mesa concordaram, enquanto tentava chamar o garçom pela décima vez.

O meu amor por lugares com ótima comida ou diversão, mas com garantia de péssimo atendimento deve dizer muito sobre a minha pessoa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Em tempos de egos inflados, quer colocar a vida em perspectiva? Converse com seus pais sobre a sua vida:

- Seu maior erro foi ter passado tantos anos com Fulano. Ah, se você não tivesse perdido tanto tempo...

- Aquilo que você fez, podia ter dado certo, mas estava na cara que ia dar errado. Eram favas contadas.

Vou ali desfilar com minha fantasia de looser e já volto, tá gente?


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Descarte seletivo

Não contém sequer refil. Por favor,  não me faça tão descartável. Descarte de gente também deveria ser uma atividade consciente tanto quanto com coisas.