quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mel não combina com sal

A melancolia é pontual. Aguarda as horas mais quietas do dia para enroscar no pescoço da gente a impedir o ar. Mudem os dicionários pois não está justo levar mel no nome um sentimento que salga as vistas e amarga a boca.

Adianta os relógios, esconda o choro. Mas melancolia não falha. Roda lembrança remasterizada e recolorida. E quem disse que escapa de dar uma espiada?

Ai, melancolia, dá um tempo. Hoje, eu só preciso estudar estatística. Nada de saudades ou lágrimas que eu ainda preciso lavar a louça. Nada de vontade de gritar,tenho que estender a roupa. Nada de deprimir que amanhã levanto para trabalhar.

 Tropeço em você pelas ruas de mão estendida a agarrar minhas pernas a tropeçar. E me pego falando de você, sem ninguém para conversar. Meus pensamentos dublados, é você sem nenhum talento.

Só me resta escrever, escrever, escrever. Para separar o sal e só sobrar o mel do que é, e não do que poderia ter sido.

Vai te catar, melancolia!

2013, o ano da pedreira

2013, o ano da construção, destruição, reconstrução. Cansei dessa vida de mestre de obras. Que venha 2014, com campos limpos verdejantes e a vista que alcança longe.

Menos expectativas e mais paz, são os meus votos! Menos engenharia e mais decoração.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Análise morfológica

Alguma horas no hospital são sempre hipérbole, carcinoma classifico de eufemismo, retirada com margem de segurança é metáfora.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Tortura

“Saudade é amar um passado que nos machuca no presente. É uma felicidade retardada. É deitar na rede e ficar lembrando das ardentes reconciliações depois de brigas homéricas por motivos desimportantes. Sente-se falta de detalhes, como uma toalha no chão, dias chuvosos, da cor dos olhos. A saudade só não mata porque tem o prazer da tortura.”

Gabito Nunes

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Na tempestade

Tanta falta sentida, tanto sentimento doído. Não sobra espaço para ser nada mais. Só para despedida. Cada sentimento bom tento apagar com pesar com memórias ruins. Uma demão de motivos para apagar a saudades, que fica ainda marcando por detrás da tinta. Um bolo de massa para fechar o buraco dessa falta.

E a gente ainda tenta sorrir e dizer bom dia. Tenta seguir respirando ainda que o peito pese. Luto, deveria ser luta. Sobreviver e se transformar. Entender as decisões e seguir o caminho.

Os dias tem ficado mais difíceis. Espero que depois da tempestade desses olhos que nunca secam... melancolia. Sinto falta daqueles cheiros e daqueles planos.

Mas só posso desejar que eu me sinta menos tão sozinha, que ao menos acredite que alguém se importa. Que ao menos um dia eu possa ter sido relevante e ter feito a diferença em alguma vida, mesmo que por um minuto.

Despedida de Las Vegas

Horas críticas, dores cítricas... Falta açúcar, colo e sobra manha. Quero sono, que não traga sonhos.

Apostaria meu destino em Las Vegas, mas não deu tempo de chegar. Perdi por aqui mesmo. Sem todas aquelas luzes e o Elvis de peruca cantando.

Love me tender, love me sweet.
Never let me go.

Sequer recolheram as fichas. Sua aposta insignificante, questões burocráticas que a gente vê depois.

You have made my life complete,
And i love you so.

Quem apostaria em tal sonho?  Let me go, so incomplete.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Um Rosa, sonhos cor-de-rosa

"Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, E ainda mais alegre no meio da tristeza..."
 Guimarães Rosa

E assim, a gente teima continuar sonhando. Mesmo quando a vida insiste em ser resvalosa e ingrata.

Alto grau de pieguice emocional, mas, confesso que eu continuo achando lindo o amor... bicho burro!!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Liquidando

Crise de ansiedade no supermercado.  Não está na gôndola, mas a gente encontra.

Sobrevivendo ao cotidiano, por que ainda não existe reality show a respeito? Primeiro episódio, com sobreviver a uma ida ao supermercado em meio a uma depressão. Todas aquelas famílias planejando o almoço de domingo e você planejando sobreviver até a próxima segunda-feira.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Socorra-me

Ainda há pouco, voltei dirigindo para casa. São Paulo toda vestida de Natal.  E apesar de pieguice, atrás de cada luzinha, creio que exista uma intenção feliz. E me vi mais miserável por estar tão vazia. Aqui, ainda é quaresma.

A vida segue como um filme tedioso e repetido. As mesmas esperanças perdidas. A mesma casa vazia.  As mesmas dúvidas.  Onde foi que eu errei? Uma enorme saudade, apesar dos pesares. 

Será que tenho que simplesmente aceitar que é sozinha que eu devo seguir? Nada de sonhos estúpidos de família e tranquilade. Afinal, esse desejo só me trouxe dor e desencanto.

Tenho vontade de gritar ou chorar até me desfazer.  Deixar de existir eu adoraria, pois assim quem sabe desapareceria também toda essa dor que não cabe em mim.

Hoje, se eu pudesse, só pediria socorro. Socorro!! Socorro!! Alguém me responda.  Por que tem noite que custa a passar na gente. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A saudade mata gente

Saudades deve ser um vírus. Ataca silencioso, mata devagar e dolorosamente. Um machado afiado a lascar pedacinho de gente.

Nunca mais vai me deixar descansar. Não vai permitir que eu sorria. Vai manter meu ar rarefeito. Vai consumir as melhores horas do dia. 

Minhas olheiras marcam saudades. Cada dor do meu corpo tem seu nome. Faz cair meus cabelos.  Ranger meus dentes.

A saudade vai me acabar. E eu peço, me acaba com você por que saudades dói, e eu só preciso que passe.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mané

No fim, você constata que é apenas um idiota útil.  Depois de utilizado, é apenas descartado em lixo comum. Independente do seu esforço ou amor, embalagem, depois de usada, não é sequer retornável.

O problema é ser descartado tantas vezes e acabar acreditando que seu lugar é no lixo mesmo. 

Ninguém deveria sentir-se assim, mas, na sociedade da fila anda, pegue seu  banquinho e saia conformado.

Perdeu de novo, playboy. E que talento eu tenho para perder!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Disque-renúncia

Procura-se sentido novo em palavras antigas.  Recompensa-se bem por qualquer descoberta.

Releio centenas de vezes as mesmas mensagens, como, se ao insistir, elas pudessem me dizer algo diferente.  Mas elas me dão as mesmas respostas triviais.

A história deixada se resumiu em SMSs, Whatsupp e e-mails banais.  Quer que eu passe na padaria? Meu dia está osso. A conta do celular. Mais uma briga. A troca do chefe. Uma gracinha. O resultado da prova.

E um simples clique, delete. Renunciamos a tudo aquilo que a gente não escrevia. Por que do que importava agora só restou palavra.

Tolo, bixuruco, funcho, do manhado... Vão-se as  pessoas, ficam as palavras doendo até se calarem.

Eu como ele...

Desencanto
Manoel Bandeira

Eu faço versos como quem chora 
De desalento. . . de desencanto. . . 
Fecha o meu livro, se por agora 
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue.
Volúpia ardente. . . 
Tristeza esparsa... remorso vão... 
Dói-me nas veias. Amargo e quente, 
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca, 
Assim dos lábios a vida corre, 
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tudo o que me falta

Preciso de ar e palavra para sobreviver. Música para acalmar. Colo para curar essa febre e toda essa vontade de não mais precisar.

Sobreviveria com muito pouco, mas pouco é muito para quem falta. Falta quase tudo no meu tão essencial. Eu estou me faltando.

Falta...

domingo, 24 de novembro de 2013

Adeus

Acabou mais um sonho, embora o amor continue sangrando. E o que fazer com tanto sangue não sei. Essa onda me encobre e me sacode. Não consigo respirar

Acordo uma hora antes para drenar meu peito e sufocar menos. Não resisti a passar as mãos nos seus cabelos e mais uma vez sentir seu cheiro. Sei que não devia, mas precisava do remédio derradeiro. Você se virou. Eu já não existia.

Minha cabeça diz que passa, mas meu corpo parece fenecer. Ainda há alguns dias, estávamos listando todos os nossos apelidos para quando envelhecêssemos não esquecer. Agora todos eles gritam dentro de mim em epitáfio.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Auto comiseração

Não sou poeta e mal sei  fingir a dor que sinto. Mas  a palavra escrita ainda é o melhor remédio para dores que ainda não finjo.

E é tanta palavra para fingir. Medo, desencanto, solidão, morte. O silêncio vai ser a cura derradeira.

Longe de terminar. Para poucas certezas,  falta-me fingimento. Sobra vontade de gritar.  Por que se esconde a poesia e preciso escrever tanta porcaria?

Sofro como em novela mexicana, na grade do SBT. Ninguém se importa com tanta bobagem. Posso até fazer rima pobre no meio de frase. O Silvio Santos não leria, nem nenhuma das suas 5 filhas.

Mas vamos ao que interessa? Quem quer dinheiro? Melhor dormir para ir trabalhar.

domingo, 13 de outubro de 2013

Como ser


 Me dê as flores em vida,
O carinho, a mão amiga
Para alimentar meus ais.
Depois, que eu me chamar saudade,
Não preciso de vaidade,
Quero preces e nada mais.

Neslson Cavaquinho


É preciso transbordar para importar a quem quer que seja. Ir além de si mesmo para ser levado para dentro dos outros. Perenizando algo dessa existência fugaz, para que essa vida curta não seja pequena.

Caso eu não transborde como deveria para irrigar quem quer que seja, que ao menos consiga respingar um pouco de mim nos outros e pela vida.

Baseado na entrevista de Mario Sergio Cortella, em http://www.eumaior.com.br/.

sábado, 12 de outubro de 2013

O tempo passa, o tempo voa...

Sinais da idade, quem nem um Natura Chronos pode resolver. Dia das crianças, sabadão e você estudando contabilidade. Quem falou em valor agregado?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Felicidade clandestina: borboleta na calçada

Hoje eu vi uma borboleta caminhando na calçada. Enquanto, os faróis paravam de funcionar, buzinas colaboravam com o caos, o rádio narrava outra sequência de violências em terras brasileiras e a luz da reserva da gasolina do carro acendia.

Ela saltitava com asas verdes esvoaçantes. Etérea, não fosse o pai apressado puxando o grande inseto feliz, em direção ao portão da escola. Ele parecia tão atrasado quanto eu, afinal, tirar uma borboleta do casulo do pijama logo pela manhã deve tomar tempo.

Mas nessa manhã ordinária de quinta-feira, ao menos tínhamos a sorte de contemplar essa borboleta. Flutuando infância, acima das nossas cabeças, bem longe das ruas caóticas da cidade.

Ah, que inveja eu tive daquelas asas. Se ao menos, eu tivesse uma daquelas lantejoulas...

sábado, 5 de outubro de 2013

Anoxia

Escuto sua respiração esforçada.  Uma nesga de sol tenta atravessar a janela e nos reconfortar sem sucesso.
 
Sinto falta do seu docinho de goiabada saindo do forno. O hambúrguer fritado na panelinha de ferro. O chiclete Ping Pong sempre esperando a netaiada no fundo do porta talher.
 
O tubo de oxigênio a tarde toda sibila silenciando as lembranças.  E quem mal respira sou eu engolindo o choro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A pernas dos velhos

As pernas dos velhos sempre me causam compaixão. Elas parecem estar à frente a prospectar um curto futuro. A batata da perna vai à frente. Ela envelhece primeiro. Depois, a pessoa vai envelhecendo em volta dela, como se condenada a seguir os caminhos impostos.

As pernas dos velhos são impiedosas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Trancoso

Casinha colorida,
Criança correndo solta,
Chão de terra batida,
Lua no céu desenvolta,
Isso sim é viver a vida.


sábado, 28 de setembro de 2013

Pós graduando

Procrastinando o estudo da contabilidade.  Por que meus passivos estão muito maiores que os meus ativos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Desalegria

A expectativa que não se cumpriu. A vela que se apagou. A meia que despareou. A festa que não aconteceu. A música que desafinou. 
Desalegra-se naquilo que não se comemora. 
Desalegre é o dia de praia nublado.

sábado, 17 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Meus pais

Meu avô, meu pai, meu irmão.
Saudades do chamado neta de um burro.
Vontade de ficar sempre juju balangandan.
Desejo que o amor de um anjo se multiplique em felicidade.
Amo e admiro vocês. 
Feliz dia dos pais.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Poesie-se

Poesie-se todo dia.
Duas baforadas de rima, antes de vestir a roupa.
Uma camada de estrofe de base para maquiagem.
Enfeite-se de magia.
E tome dose de lírica, servida em uma bonita louça.

domingo, 28 de julho de 2013

Dieta da princesa Fiona

Por que mesmo gripada, sem conseguir sequer sentir o odor putrefato de um elefante abatido semana passada, tem um bolo de mil folhas gritando meu nome lá na cozinha. Eu tenho é excesso de educação alimentar. O bolo se oferece, e assim como mamãe ensinou, aceito e ainda agradeço.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Vaticano de Caras

E quando o Papa visita a Ilha de Caras? Estou acompanhando tudinho no seu Twitter.

Ilze Scamparini vai levar o prêmio Comunique-se esse ano. Muito pop, gente!!

E o baby da Kate? Jornal Nacional e Globo hoje abençoados. O mundo é lindo.

Daí quando a gente começa a concordar com Inri Cristo, alguma coisa está muito errada. "Ele e qualquer outro argentino que vier fazer turismo no Brasil, seja muito bem-vindo. Daí ao erário público bancar as despesas da vinda dele, já é outra coisa. Agora que se fala tanto em precariedade da saúde, segurança, educação... é uma oportuna ocasião de o povo brasileiro refletir se vale a pena gastar a exorbitante soma de R$ 118 milhões para receber um artista argentino. Se o Dalai Lama, nas vezes em que visitou o Brasil, veio patrocinado por instituições budistas, por que o líder argentino tem de ser diferente? Afinal, o Brasil é ou não um estado laico?", afirmou nosso Cristo brazuca.

domingo, 21 de julho de 2013

Só três brinquedos

 
Mãe, me deixa brincar mais um pouquinho.
Que já tenho muita idade para perder a oportunidade
de me esbaldar em qualquer parquinho.
Embora o que eu tenha mais saudade,
não é da roda gigante ou dos trenzinhos.
Mas daqueles pedidos em quantidade
que a criançada insistia para ganhar a regalia.
Só três brinquedos, e era aquela alegria.
Trem fantasma ou bate-bate?
Naqueles longos verões, eram nossa única agonia.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Blues

Hoje eu queria companhia
Para ouvir um jazz.
Ou contar meu dia.
Para dizer rapaz,
I'm so blue.
Quem diria.



@manoellavaladares.

sábado, 6 de julho de 2013

Zécutiva: Gente, o Dudu está escrevendo

E quando todos os e-mails da Internet resolvem dar um oi na sua caixa postal, há um deles que inspira a minha atenção e expira minha fé na seriedade desse tipo de comunicação:

"Prezada Juliana,

Poderia me auxiliar com o assunto citado no título? O prazo se inspira esse semana".

Mas ninguém ousa dizer que não é poético.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Serial killer à mesa

Sim, sem dúvida. Quando se trata de comida, sou uma psicopata. Não há culpa.

Definição do meu amor, que me mima com delícias.

domingo, 30 de junho de 2013

Completa alma

Gosto da calma da casa, quando toda a cidade parece dormir. Minha janela enquadra o mundo. Nela vejo tudo. O silêncio inteira a parte de mim ausente quando alerta.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Na lona

Como achar o caminho do meio, se o acostamento parece tão mais confortável que a pista sinuosa? Hoje me perguntaram se eu continuo frequentando a meditação budista para lidar com tanta gente e tanto problema, no trabalho.

Estou mais para o boxe transcendental, com uns letreiros luminosos para evitar golpes muito baixos ao longo dos rounds. E sempre escapa algo abaixo da cintura.

Agora eu tenho bruxismo. Toda vez que falo isso, parece que uma verruga vai explodir no meu nariz e uma vassoura vai estacionar do meu lado, esperando que monte nela.

Para não trincar a cabeça durante a noite, durmo com um protetor bucal, igualzinho a lutador de boxe. E para fechar com chave de ouro meu dia, quando eu boto a cabeça no travesseiro, me imagino uma cruza de Mike Tyson com Maga Patalógica.

Alô produção! Ilumina eu que estou à beira do nocaute.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bronzeamento sentimental

Um espectro dele seguia suas mulheres, admirando-as no banheiro, assobiando no carro a caminho do trabalho, a última fazia uma careta bonita enquanto dirigia. Ou na aula de yoga, de ponta cabeça. Na frente do espelho, espremendo espinhas.  Na manicure, cheia de dúvidas escolhendo esmalte.
 
Quando o relacionamento acabava, o espectro apaixonado seguia com a sua musa. Até que uma nova paixão surgia, um novo espectro descolava-se e se perdia. E assim, ele foi ficando cada vez mais transparente. Chegou o dia em que foi possível ler um livro de letras miúdas, através dele.
 
Fugiu para uma ilha no Caribe. Na viagem, notou que nenhum dos espectros delas o seguia. Através de relacionamentos, conheceu profundamente a solidão. Revoltado, abriu uma clínica de bronzeamento artificial. Hoje só atende gente transparente. Tem dois cachorros ótimos, que por via das dúvidas, leva sempre na coleira para que nada mais se perca por aí.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Muquiada

Compartimenta, é o que aprendi a repetir para mim toda vez que algo me chateia ou magoa. Guarda num canto, depois pensa no assunto, e segue para outra. É útil para tocar o dia a dia. Mas quando espreito, constato-me um grandessíssimo muquifo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Fragmentos de dicionário particular: carinho

Caminho que leva ao amor.

NET estorvo

Quer cancelar seu serviço NET? Pense previamente em bons motivos para convencer um atendente a ter alguma compaixão de você nessa empreitada:
1- Virei amish.
2 - Vendi minha TV e o telefone para comprar crack,
3- Assinei um tipo NET, só que funciona.
...


Não é uma assinatura, é uma condenação.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Casamento

Assistir como nunca antes filmes e séries com um dos elementos - zumbis, alienígenas, violência gratuita ou sexo fácil  - somente pelo prazer da trilha sonora. O coração dele batendo, enquanto eu colo o rosto no seu peito.

Vida longa e próspera para nós, já diziam os jedis com suas toalhas pelas galáxias.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Conexão com São Longuinho

Paletó, carteira, óculos, achar o que você espalha pela casa. Permitir me perder naquilo que for nosso, nossa cama, nossos óculos, nossas roupas, nossa vida, nossos planos, apesar dos perdidos.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Fim de caso

As palavra cansaram-se de mim. Sei que há muito tempo, não as convido para rir de uma história, num textinho gostoso de fim de dia. Nem ligo para atualizá-las das novidades da vida, em um dois parágrafos rápidos. É que não quero desgastá-las com minhas mesmas lamúrias, meus medos.

Chegamos a ser tão íntimas. E hoje, nem mais daquela ironia fina temos compartilhado. Elas têm me abandonado. Não me chamam para nenhuma frase. E nem me contam novos parágrafos.

Definitivamente, estou de mal dessas palavras desnaturadas. Sei que elas ainda me procurarão, quando eu estiver um pouquinho melhor. Tenho certeza que não resistirei a aceita-las de braços abertos.

Mas mesmo amando-as, elas me pagarão. Elas que nao me pecam qualquer piedade com a ortografia, iprocritas,  e acentuação novamente, so se elas forem muito boasinhas. Nenhum corretor ortografico vai me impedir. Tenho dito.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Já postou sua felicidade hoje?

Atualmente, não desconfie apenas do que as pessoas aparentam ser, desconfiem do que elas postam ser. Fuja das redes sociais, se você estiver meio chateado, na TPM, entediado. É como fazer supermercado com fome, você fica se perguntando porque não tenho tudo isso no meu carrinho. É impossível não se perder em imagens de paisagens, sorrisos, festas, viagens e bebês fofos. Mas quem já não fez supermercado morrendo de fome e passou no caixa laricas inacreditáveis?

Afinal, a obrigação de ser feliz tornou-se causa de infelicidade na nossa sociedade, segundo a jornalista Eliane Brum, no texto Permissão para ser INfeliz. Vale a pena ler.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reclama para Dilma?

Fim do horário de verão. Não quero a hora que me devolvem hoje. Não é a mesma que surrupiaram meses atrás. Enquanto olho para as paredes insossas de um quarto de hospital, me enfiam goela abaixo a hora que me tiraram.

Depois do torturante despertar uma hora mais cedo por dias a fio, agora tenho mais uma hora para olhar as paredes insossas do hospital.

Não aceito nesse momento, guarda para eu usar mais tarde, em momento mais oportuno.  Eu quero com juros. Quero que embrulhe. Ah, e é para presente, tá?

Com quem que eu reclamo?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ela fazia muitos planos

Obcecada por planos para o ano. Poderia ser sinal de maturidade. Mas quando os planos mais excitantes incluem parques de diversão, rezo para que um dia um cresça. Embora, não canse de rir, quando ele diz que só pode ser pedófilo diante da minha meninice. Embora, saque um lápis da Hello Kitty na reunião de trabalho e não dispense desenho animado antes de dormir.

Ainda custo a reconhecer no espelho meus anos, embora reconheça saudades de cada um deles. E faço planos para um tempo que nunca me pareceu suficiente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Avós para visitar sempre

"a vó tinha um nome feio. hermantina. her-man-ti-na. só ela gostava, era uma homenagem a hermes da fonseca, aquele presidente de quem ninguém se lembra. nós, os netos (quase 40, imagina), a chamávamos de vó gorducha. eu nunca soube quem deu o apelido, mas fazia sentido. não que ela fosse gorda, mas tinha o colo mais gostoso desse mundo, daqueles que curam tristeza de criança melhor que sorvete".


Muito bom, colo de vó coletivo, ainda que virtual, aqui em http://ahvo.wordpress.com/

domingo, 6 de janeiro de 2013

Para presente

Começou empacotando um dedo mindinho. Como ele não fizera falta, experimentou guardar mais dois ou três dedos.

Embalava-os em embrulhos coloridos para, quem sabe um dia, a coragem rasgar cada um deles. Já tinha guardado em papel presente vários dedos, toda uma perna, quando pessoas notaram. Tarde demais.

Estava distribuída em caixas lindas, adornadas em fitas. Alguém ainda teve idéia . Depois de ser aproveitada para decoração de Natal, seus pacotes foram encaminhado para reciclagem.
 
Seria vacuidade? Não tinha certeza, afinal distribuiu a pessoas queridas pedaços. Nada grande que estorvasse. Uma piscada, um cheiro, um trejeito único. Mas ninguém confirma se os guardaram ou perderam por aí.

Só deixou recomendações para preservação de um pacote. À guisa de epitáfio, a embalagem do sorriso levava um pequenino cartão escrito em letra miúda: guarde, por que embalagens de presente e sorrisos nunca deveriam ser esquecidos, ainda mais quando abertos juntos.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tal qual uma Playboy

Arrancou a roupa das palavras, para mostrar o seio nu do pensamento. Um bico rosado apareceu da poesia, embora tentasse esconder em vão a teta murcha de idéias incertas.

Por que a palavra escrita é sem vergonha. Saiu de braço dado mostrando a bunda.