quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Auto comiseração

Não sou poeta e mal sei  fingir a dor que sinto. Mas  a palavra escrita ainda é o melhor remédio para dores que ainda não finjo.

E é tanta palavra para fingir. Medo, desencanto, solidão, morte. O silêncio vai ser a cura derradeira.

Longe de terminar. Para poucas certezas,  falta-me fingimento. Sobra vontade de gritar.  Por que se esconde a poesia e preciso escrever tanta porcaria?

Sofro como em novela mexicana, na grade do SBT. Ninguém se importa com tanta bobagem. Posso até fazer rima pobre no meio de frase. O Silvio Santos não leria, nem nenhuma das suas 5 filhas.

Mas vamos ao que interessa? Quem quer dinheiro? Melhor dormir para ir trabalhar.

domingo, 13 de outubro de 2013

Como ser


 Me dê as flores em vida,
O carinho, a mão amiga
Para alimentar meus ais.
Depois, que eu me chamar saudade,
Não preciso de vaidade,
Quero preces e nada mais.

Neslson Cavaquinho


É preciso transbordar para importar a quem quer que seja. Ir além de si mesmo para ser levado para dentro dos outros. Perenizando algo dessa existência fugaz, para que essa vida curta não seja pequena.

Caso eu não transborde como deveria para irrigar quem quer que seja, que ao menos consiga respingar um pouco de mim nos outros e pela vida.

Baseado na entrevista de Mario Sergio Cortella, em http://www.eumaior.com.br/.

sábado, 12 de outubro de 2013

O tempo passa, o tempo voa...

Sinais da idade, quem nem um Natura Chronos pode resolver. Dia das crianças, sabadão e você estudando contabilidade. Quem falou em valor agregado?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Felicidade clandestina: borboleta na calçada

Hoje eu vi uma borboleta caminhando na calçada. Enquanto, os faróis paravam de funcionar, buzinas colaboravam com o caos, o rádio narrava outra sequência de violências em terras brasileiras e a luz da reserva da gasolina do carro acendia.

Ela saltitava com asas verdes esvoaçantes. Etérea, não fosse o pai apressado puxando o grande inseto feliz, em direção ao portão da escola. Ele parecia tão atrasado quanto eu, afinal, tirar uma borboleta do casulo do pijama logo pela manhã deve tomar tempo.

Mas nessa manhã ordinária de quinta-feira, ao menos tínhamos a sorte de contemplar essa borboleta. Flutuando infância, acima das nossas cabeças, bem longe das ruas caóticas da cidade.

Ah, que inveja eu tive daquelas asas. Se ao menos, eu tivesse uma daquelas lantejoulas...

sábado, 5 de outubro de 2013

Anoxia

Escuto sua respiração esforçada.  Uma nesga de sol tenta atravessar a janela e nos reconfortar sem sucesso.
 
Sinto falta do seu docinho de goiabada saindo do forno. O hambúrguer fritado na panelinha de ferro. O chiclete Ping Pong sempre esperando a netaiada no fundo do porta talher.
 
O tubo de oxigênio a tarde toda sibila silenciando as lembranças.  E quem mal respira sou eu engolindo o choro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A pernas dos velhos

As pernas dos velhos sempre me causam compaixão. Elas parecem estar à frente a prospectar um curto futuro. A batata da perna vai à frente. Ela envelhece primeiro. Depois, a pessoa vai envelhecendo em volta dela, como se condenada a seguir os caminhos impostos.

As pernas dos velhos são impiedosas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Trancoso

Casinha colorida,
Criança correndo solta,
Chão de terra batida,
Lua no céu desenvolta,
Isso sim é viver a vida.