domingo, 13 de fevereiro de 2011
Síndrome de picolé: sou um Tablito
Devia criar casca e aprender com os safanões da vida. Mas sou picolé. E quem nasce para palito não se enforma em casquinha. Derreto fácil. E escorro a cada pequena ou grande desilusão.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Zécutiva: não faça o que faço, obedeça se tiver juízo
Conhecer os intestinos do maior porto da América Latina é ter certeza que o Brasil não escoa sua mercadoria, escorre. Pelas pernas como um enorme desarranjo. O caos no trânsito, a falta de sinalização, a sujeira, a desordem lembram um faroeste cabloco mecanizado. Entretanto, quem quer ser fornecedor de estatais nacionais tem que comer muita grama para atender requisitos, normas, burocracias etc.
Ser fornecedor de empresa estatal brasileira é como ter pais doidões e ser mandado para colégio interno católico. Você convive com milhares de regras e requisitos, mas, quando vai para a casa, encontra a galera fumando, uma festa rolando, a geladeira vazia e todos os cômodos bagunçados.
É o moderníssimo modelo de gestão que já apregoava meu avôzinho: faça o que eu mando, não faça o que eu faço. Mas está tudo certo já que seguimos a máxima: manda quem pode, obedece quem tem juízo, ou conta para pagar.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Aprendizado de pequena mulher
No caminho do restaurante em que almoço, há uma pequena loja de roupas de senhoras. As vendedoras batem papo com as vizinhas de avental e pano de prato no ombro na calçada, enquanto um cachorro preto se enrola em suas pernas, ao sol. Os manequins usam perucas tortas e os manequins infatis são bonecas tradicionais. De fora, nota-se uma (des)organização de roupas em estantes e cabides espalhados inexistentes nos comércios assépticos atuais.
Toda vez que passo em frente, inevitável a vontade de entrar e retomar um tempo quando ia às lojinhas de bairro, com minhas mãos minúsculas e gordinhas agarradas às da minha avó. E ficava horas ganhando balas, enquanto a conversa fiava em problemas femininos insolúveis. O pó da rua a se sobrepor à faxina diária, o preço do leite, a banca da feira que não tem mais qualidade, o marido da comadre que bebe e o tecido mais adequado para a blusa das missas dominicais.
Ouvia certa de que aquilo me prepararia para meu futuro como mulher. E anotava mentalmente soluções. Entretanto, hoje, a faxina apenas pago e lamento o poder de destruição em massa da faxineira. Não tomo leite. Vou ao supermercado altas horas da noite e dou-me por feliz em achar alguma verdura. Marido quem tem dá graças a Deus e fica quieta. Missa nem de sétimo dia. E daquelas conversas, que julgava úteis, só restou desejo de encontrar, entre as prateleiras entulhadas da lojinha dos meus dias, um tempo que sirva para mim. Como se eu pudesse ser uma daquelas mulheres, tão senhoras de seus mundos, armadas somente com seus panos de prato no ombro.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Por Manoel pedaços de mim
"Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora".
Livro sobre o nada - Manoel de Barros
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora".
Livro sobre o nada - Manoel de Barros
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Até amar o Corinthians é iluminação
Quem acha que a vida não é justa, certamente está desajustado. Os sete bilhões de habitantes desse planeta desejam a felicidade. Mas a maioria tenta reformar o mundo ao seu redor para satisfação dos desejos. O resultado é apenas caos, frustração, depressão.
Sofrimento e alegria não são castigo ou prêmio. São efeito do esforço de mudar-se internamente. Difícil aceitar, crianças mimadas que somos, chacoalhamos a máquina de doce do samsara e nunca alcançamos a guloseima desejada. Isso quando ela não engole suas moedas e te deixa com fome ou sede.
O caminho do meio é o equilíbrio entre a renúncia a todos esses sofrimentos e a compaixão. Aprender com os obstáculos, não se apegar às perdas e injustiças da máquinas de doces. E aprender a amar todos os seres vivos. "Quando eu amar os outros, a ponto de me desesperar, nunca mais sofrerei", ensina meu professor de meditação Gen Kelsang Odro. É forma de esvaziar nosso egoísmo e apego a esse eu que sofre, deseja, resmunga.
Fácil? De forma nenhuma. Espiritualmente, engatinhamos. Mas quer moleza? Torce para o São Paulo, como diria um tio meu, Como corintiana não praticante, começo a concordar com ele, mas mantenho-me fiel ao time que só nos dá crescimento espiritual, aceitando com alegria as seguidas derrotas. Timão é treino para iluminação! Libertação, mesmo sem Libertadores.
Palestra do meu prô Odro, queridíssimo!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Zécutiva: Trabalhadores unidos aceitam cheque
Pedir R$ 2,00 para o porteiro para inteirar o táxi é melhor que qualquer atividade de integração hierárquica. E sorte que minha faxineira aceita cheque.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Poeminha para Dona Janaína
Por você seria marinheiro.
E toda barca de presente, espelho, flor e pente,
Era pouco para meus olhos altaneiros.
Que esses eu te dava como garantia
Para poder mirar seu mar todos os dias
Vambôra molhar os pézinhos no mar, que hoje é dia de Yemanjá.
(*Yemanjá, Nossa Senhora Aparecida e Tara Verde)
E toda barca de presente, espelho, flor e pente,
Era pouco para meus olhos altaneiros.
Que esses eu te dava como garantia
Para poder mirar seu mar todos os dias
Vambôra molhar os pézinhos no mar, que hoje é dia de Yemanjá.
Buda entende que com essa mulherada, Dona Janaína*, Cidinha* e Tarinha* ninguém pode. E lá em casa, a Babel é ecumênica e harmoniosa, e me garanto com quatro mães para me dengar.
(*Yemanjá, Nossa Senhora Aparecida e Tara Verde)
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
É bom para o moral
Meu jardim semeei num canto de terra quase imprestável. Horas de palavras cultivadas com esmero de relojoeiro, sem pretensão de frutos. Entretanto, suas flores me trouxeram apreciadores queridos. Hoje temo que um ponto final mal plantado, uma idéia murcha ou uma frase despetalada estrague a beleza da obra.
Mas, como criança apreensiva mostrando seu desenho novo, sou feliz a cada gesto de aprovação. Como diria Rita Cadillac, é bom para o moral. E eu nem precisei rebolar.
Mas, como criança apreensiva mostrando seu desenho novo, sou feliz a cada gesto de aprovação. Como diria Rita Cadillac, é bom para o moral. E eu nem precisei rebolar.
Daí aumenta a vontade de plantar uma floresta inteira. Vontade que já cheguei a pensar que nunca mais teria. Por fim, atendo um desejo enorme de agradecer quem estimulou e estimula minha vontade de reflorestar o planeta.
Obrigada!
E para os seguidores dessa terapia, uma dica de uso da dinda do enquadrados:
"Aproveite muito mais
Você sabe como faz
Você não vai pagar nenhuma taxa se usar
É bom para o moral
É bom para o moral
É bom para o moral
É bom bom, é bom bom
"Vu le", "vu le", dance dance
Para frente, para trás"
Aumenta o som aí...
E para os seguidores dessa terapia, uma dica de uso da dinda do enquadrados:
"Aproveite muito mais
Você sabe como faz
Você não vai pagar nenhuma taxa se usar
É bom para o moral
É bom para o moral
É bom para o moral
É bom bom, é bom bom
"Vu le", "vu le", dance dance
Para frente, para trás"
Aumenta o som aí...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Síndrome de plano infinito
Eu costumava ser centrada, o problema é que ultimamente é tanta coisa que está difícil localizar a borda.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Chapada em delicadezas
Quando o itinerário da alma tem destino imprevisível e muito além do corpo, uma viagem cumpre seu papel. E quem de fato se propõe a conhecer a Chapada dos Veadeiros (GO) surpreende-se o quão distante pode chegar. E assim, eu fui, sem saber que iria tão longe.
Olho de gente da cidade é anêmico por conta da dieta pobre de horizontes. Quando exposta a um banquete, demora um tantinho para digerir cor e amplidão fartas. E o céu de Goiás vai como que nutrindo olhares em grandes goles de um azul incomparável ao longo da estrada judiada que liga Brasília à Alto Paraíso.
E depois que o olho fica sedento por mais goles, a gente se embrenha no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Dos grupos que se formam na entrada, nosso grupo tinha Andrew, um médico americano interessado em tratamentos medicinais alternativos e em conhecer João de Deus, um médim curador que atrai multidões de todo o mundo para Abadiânia (GO), cidade que o gringo pronunciava como algo parecido como vagina, provocando gargalhadas.
O guia de nosso grupo foi Rafael de São Jorge, nome do pequeno município onde fica a entrada do parque. Rafael estudou quatro anos de biologia, desistiu da graduação e se especializou por conta própria em guiagens científicas. Ele é um dos apenas três guias que fala inglês fluente no parque. Aceitou guiar nosso grupo se aceitássemos que ele mostrasse a Andrew todas as plantas de uso medicinal pelo caminho em inglês. Ninguém pensou duas vezes, parecia mais um presente. E Rafael foi nos apresentando as plantas como quem introduz velhos conhecidos, nome popular e científico e seus diversos usos.
Um dia de enormes horas de caminhada em meio ao cerrado, e o corpo expandindo limites do cansaço. A compensação foi meditar à beira de enormes canyons e nadar nas cachoeiras da Louquinhas, assistindo um louquinho sob efeito de beberagem de Santo Daime se batizar comicamente nas águas, para desespero dos salva-vidas do parque. Final do dia regado à muita cerveja no pequeno Bar do Pelé e depois muita comida "home-made" na Dona Nezinha. Nosso médico americano enlouqueu os locais habitués alcolizados do pequeno estabelecimento com sua língua enrolada. O que esse "homi" está falando enrolado, eu não dou conta, porra - repetia o mais conversador deles. Em compensação, o simpático garçom da Nezinha arrancou aplausos arranhando o inglês aprendido nas ruas.
E conversa boa, junto com comida melhor ainda é o que não falta entre esses goianos. Segundo Daniel, doce e falador garçom da nossa pousada, na palhoça do seu Waldomiro, come-se a melhor matula da região. Comida de boaideiro, ex-ocupação do dono do lugar, que recebe a todos com abraços na porta do carro e só não senta de vez nas mesas para a prosa porque tem muita gente para conversar. Cozinhar ele aprendeu com a mãe, hoje divide o negócio com os seis filhos e agregados que chegam a dezenas. Faz pinga e licor de sabor doce e amargo também, esse para temperar a vida, já que a dele, segundo o próprio, já é muito doce. A minha pinga foi com arnica. O doce de leite vem no pote com as colheres junto para mandar ao diabo qualquer dieta. E o doce de casca de laranja trouxe o carinho da lembrança dos doces da minha tia-bisavó Dula.
Andei pelo Vale da Lua, uma impressionante superfície de rochas entrecortadas por um rio. À noite, nadei em piscinas termais rodeadas de sapinhos que coachavam loucamente, tentando expulsar turistas indesejáveis de seu ofurô natural. Alimentei dezenas de pernilongos famintos. Deixei pedaços de pele nas ranhuras das pedras em alguns tombos. Trouxe uma dezena de roxos, dores musculares e uma alma expandida que quase não se cabe em mim.
No parque, ao longo da trilha, a vegetação mostrava sinais de carbonização, principalmente nos troncos de árvores que insistiam em desenvolver folhas verdinhas. O guia Rafael explicou que incêndios por causas naturais, como raios, são comuns no cerrado. O fogo é rápido como uma lufada de vento. Transforma matéria orgânica em mineral, facilitando a fertilização do solo rochoso do lugar.
O cerrado é pouco resistente ao fogo, mas extremamente resiliente, pontuou Rafael. Em comparação com outros habitats, embora incendeie facilmente também tem enorme capacidade de recuperação, fazendo do fogo um instrumento para fertilidade. E eu com meus botões, fiquei pensando na minha alma, tão incendiada e recuperada como o cerrado. E gostei ainda mais daquele lugar que já me mata de saudades.
As fotos sensacionais são do meu companheiro de viagem, meu irmãozinho caçula, no momento, mais velho que eu três anos, e muito paciente com meu atrapalhamento em terrenos acidentados.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Poeminha feliz
Felicidade,
Se eu toco, é miragem.
Se eu sinto, é realidade.
Budinhas simpáticos com desejos de felicidade para todos!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Zécutiva: Felicidade clandestina sob mesas de reunião
Se há um terreno em que, a cada gargalhada, você é medido como um marginal portador de cigarrinhos do capeta é no ambiente corporativo. A felicidade é clandestina e perseguida, como pontificou minha traficante preferida, a Monga Executiva.
"É preciso muita firmeza de propósitos pra convencer os decisores das intituições de que nós, usuários e defensores desta morfina organizacional chamada FELICIDADE podemos exercer dignamente as funções para as quais somos pagos fazendo uso dela".
Adorei ter uma companheira na campanha de legalização da felicidade (e ela me lê, que emoção). Sorriso e humor leve deveriam constar nos requisitos de descrição de funções, com atenuantes para os dias de TPM, óbvio. Nesses dias, até aceito um "bom dia porque".
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Afogando tartarugas
Eu e meu irmão tínhamos duas tartarugas. Entediadas pela vida aquática, elas insistiam em pular do aquário. E caminhavam camufladas pelo tapete verde da sala ou pelas lajotas verdes do quintal. Em cada fuga, uma gritaria. Criança da cidade não bota mão em coisa viva. E minha avó saia à captura dos bichos. Xingando em portunhol enrolado, despejava as pobres de volta ao cativeiro envidraçado.
Foram muitas tentativas de exploração terrestre, até que minha avó, exasperada pelas caçadas imprevistas, resolveu definitivamente o assunto. Jogou as tartarugas na privada e deu a descarga. Sem muitas explicações, porque espanhola resolve, não explica.
Ela imigrou ao Brasil, depois de uma longa estadia em campos de concentração na França para fugitivos da Guerra Civil Espanhola. Chegou com outros espanhóis que, por fim, voltaram à Espanha. Perdeu o marido cedo. Tornou-se uma mulher prática.Vivia só, resolvia as coisas a seu jeito, mesmo que tivesse que afogar tartarugas. Creio que nem feliz nem triste. Aceitava resignada o exílio que a vida, as guerras, a distância lhe proporcionaram.
Aos 87 anos, adoeceu gravemente e passou cerca de três meses encerrada num quarto cinza de hospital, ligada a um respirador. Nesse período, não aceitava televisão, rádio, livro ou qualquer distração que lhe amenizasse o calvário. Passava horas de olhos fechados, só o som mecânico do pulmão imposto a marcar tempo. Não sei o que pensava. Acredito que recuperava os fatos que ao longo da vida teve que esquecer para sobreviver.
Mais de uma vez, ela sugeriu que a desligassem daquela máquina irritante. Hoje, acredito que era a melhor alternativa, dadas as condições. Mas com 19 anos, eu só conseguia me horrorizar e cantar. Das poucas canções que ela aceitava ouvir era "Maria Bonita", que segundo meu pai, foi a prefirida do meu avô. Uma linda letra que fala justamente de lembranças. Exaltava recordações de um homem apaixonado. Talvez meu avô cantasse para ela, que também era Maria.
Quando ela se foi, sobreviveu comigo a tristeza de ter acompanhado seus últimos dias. Mas minha avó era a sobrevivente, e me mostrou que tudo aquilo que chateia merece ser descartado, sem explicações. Isso é ser sobrevivente.
Desde então, eu me tornei especialista em descartar fatos desagradáveis. E quando não suporto mais tantas tartarugas afogadas, ao meu redor, busco meu consolo. Lembro que até minha avó, uma espanhola, endurecida pela guerra e campos de concentração, sobreviveu, e conseguiu salvar até o fim sua Maria Bonita.
"Acuérdate de Acapulco,
de aquellas noches,
María bonita,
María del alma.
Acuérdate que en la playa
con tus manitas
las estrellitas
las enjuagabas
Tu cuerpo del mar juguete,
nave al garete,
venían las olas,
lo columpiaban,
y mientras yo te miraba,
te juro con sentimiento,
mi pensamiento te traicionaba".
Augustín Lara
sábado, 15 de janeiro de 2011
Inspiração de bunda de fora
Depois que se passa muito tempo sobrevivendo, viver não é mais natural. É desligar o respirador artificial. Sem marcapasso. Percurso em respiração livre. Inspira e expira. Sem a certeza da próxima lufada. Livre para perder o fôlego.
Encho os pulmões, até que doam de não se caber mais. Mas ainda de camisolinha de quarto de hospital. De bunda de fora. Mas muitas inspirações no último ano dão coragem para ir cada vez mais longe...
Encho os pulmões, até que doam de não se caber mais. Mas ainda de camisolinha de quarto de hospital. De bunda de fora. Mas muitas inspirações no último ano dão coragem para ir cada vez mais longe...
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