sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Errata de arrependimentos

Não dê desculpas que precedem as culpas. É passar corretivo depois do ponto final da frase  mal escrita.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

E eu lembrei da minha Caloi

Com uns sete anos tirar rodinhas da bicicleta Ceci foi um drama. Meu tio ganhou dois meses de academia grátis. Em corridas incansáveis ao meu lado, ele me amparava para seguir sem aquele apoio para criancinhas, durante as férias de verão. 
 
Muitos joelhos ralados depois, confesso que ainda ando muito mal de bicicleta, mas sem rodinhas. E vou amar meu tio por toda vida por tanta paciência dedicada.
 
Agora quero deixar as minhas rodinhas de mulher escaldada. Estou cansada de terapias, conjecturas, temores e mil planos do Cebolinha para não me ralar mais. Embora cercada de gente muito querida, incluindo um homem muito amado, essas rodinhas tenho que largar sozinha.
 
Eu me sinto feliz nesses dias de novas tentativas, mas completamente apavorada. Um ventinho no rosto, a felicidade da liberdade cambaleante e ainda escuto a voz do meu tio correndo ao meu lado: "agora vai sozinha, Ju".
 
Buda e todos os seres iluminado me amparem nos ralados, que eles sirvam para me fazer alguém melhor. Ou quem sabe eu nem me rale mais.

Quem sabe?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Coveira às avessas

O lance é me desenterrar viva dessa vida. O coração já está quase pulsando limpo. Mas sigo sempre cavando. E cuspindo ainda muitos torrões de terra, acertando em quem não devia, em quem eu não queria.

Espero que perdoem essa coveira desajeitada.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Curso de mergulho rápido

Pese a mão no Rivotril e desfrute um dia dentro do aquário, na calma e lentidão do fundo das águas. Acabei de ver um cavalo marinho flutuando em cima do armário.

Isso é o que deve ser literalmente mergulhar nas profundezas do seu eu. Mais um quartinho de Lexotan e é apnéia.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Relatividade

Relativa é a companhia, mesmo no maior tempo ou no menor espaço. O meu eu tem dimensões que nenhuma teoria alcança.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Oi, oi, oi, só pode ser Halloween

Bando de zumbis descerebrados comemoram resultados de eleições.

Independente de qual fosse o resultado, comemorar o que? Si hay gobierno, soy contra.


E a crise pessoal continua, ainda mais com essa saudades da Carminha.

Peggy Sue, c´est moi

Peggy Sue, seu passado a espera, como eu gosto desse filme. Não por que eu tenha pretensões de poder escolher mudar o meu passado. Mas quero conseguir mudar o meu presente, mesmo que o passado viva à espreita.
 
Dizem que na crise a gente cresce. Só sinto que na crise a mar de merda é que cresce para nos engolir. Segura, Berenice, que só o tempo cura. E talvez reviver acelere o processo. Reviver sensações de medo, raiva, dúvida, solidão. Enxergar em você, no outro, tudo aquilo que se teme. É uma teoria persecutória delirante, mas completamente intoxicante.
 
Reviver situaçãoes de crise tem a vantagem de ser facilitado pelas ferramentas que você já se lascou para desenvolver um dia. Você exibe com orgulho aquela machadinha tosca de lucidez que você esculpiu num passado não muito distante. Mas há que se encarar certos vícios de julgamento e um cinismo mórbido diante da vida difíceis de combater.
 
A maior vantagem é que você grita menos, debate-se menos. Você já sabe que ganhar ou perder envolvem milhares de variáveis. O seu controle mediante à vida é comparável ao de uma criança de 5 anos assumindo o volante de uma Ferrari.
 
E  vou pirando entre escolher usar as armas patéticas que um dia já me defenderam, ou identificar se o inimigo não sou eu mesma. Ou se existe de fato um inimigo. É um misto de exército de Brancaleone com Alien, o monstro está dentro de você, sua louca.
 
Se eu fosse a Peggy Sue, apenas quebraria a cara de todos os filhos da mãe que descobri no futuro. Por vezes a violência me parece tão redentora que faz corar todos os meus atributos éticos desenvolvidos nas chatíssimas discussões intermináveis, que me faziam delirar, nos meu anos de bicho-grilo-aluna-da-PUC. É a vida.

domingo, 28 de outubro de 2012

Brasil mostra sua babaquice

#paunocu de tudo quanto é político. Estamos assistindo extermínio sistemático da população e policiais no Estado de SP. Nenhum secretário ou governador se manifesta de modo enfático. O governo federal não tem nenhuma política de combate ao tráfico de armas e drogas.

Ficam com esse blá-blá-blá de PT x PSDB. É tudo farinha do mesmo trigo, só muda o selo na embalagem. Mensalão petista, mensalão tucano. Vamos ver alguém devolver a nossa grana? Alguém acredita em gente de camisa engomada vendo o sol nascer quadrado, nem que seja por algumas semanas?

Celebro o fim de mais um dia da festa da democracia, as eleições, com um corpo do outro lado da rua da minha casa. Foi morto com uns quatro tiros. Achei que era o escapamento de uma moto. Mas está lá, já faz quase uma hora, sendo lavado pela chuva, debaixo de um lençol branco.

E tem gente comemorando resultado de eleições! Deviam sim é estar putos, fazendo lista de reivindicações para cobrar os nossos digníssimos governantes.

Dá-lhe Brasil!

Só os absurdos fazem poesia




A gente gostava das palavras quando elas perturbaravam o sentido normal das ideias.
Por que a gente também sabia que só os absurdos enriquecem a poesia.
Manoel de Barros

De Manoel

Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Manoel de Barros

Com pedaços de mim apenas tento ser.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Tocando em letras

"Ao sair do avião,
Zoom de besouro, um imã,
Jantei às três da manhã"


Escrevo para que eu escute a música que toca aqui dentro. E para que talvez lá fora, alguém também escute. E quem sabe até cante comigo, me ajudando a desvendar trechos da letra que não entendo...
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Só por hoje e amanhã também, respira

Uma caixa de grito, um saco de areia e luvas de boxe, vou adotar como EPIs de trabalho.  

Respira ao menos, que é só o treino para iluminação!

Achei ótimas as dicas de http://papodehomem.com.br/para-comecar-a-meditar/ , já que pega mal fazer despacho debaixo da mesa de algumas pessoas ou pedir colo e uma mantinha.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Temperança

À vida da gente não se dá gosto logo que nasce. Ela pode até ser servida num prato bonito. Mas descobre-se a vida aos bocados. Garfadas amargas, entre colheradas doces.  

E a vida, a gente tempera, enquanto engole mesmo. É bom meditar sobre a receita ou, ao menos, que efeito se espera ao final da refeição. E manter a mente aberta para os ingredientes que surgem ao longo do preparo, por que embora tenhamos escolhido cada um deles em algum momento, somos cozinheiros esquecidos de nossa lista de compras.

Viver, meditar, cozinhar, tem que praticar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em crisálida me sonhei

Borboleta de rosa cor lembrança, no lençol que me cobriu menina. Eu me senti tão trapo velho, quando o encontrei no quarto antigo. Admirei as asas de sonhos ingênuos. E impresso no pano senti o cheiro morno de casa de mãe.

E eu que tento parecer tão fodona, mulherzinha,  meio loura, meio descolada, fiquei desbotada de saudades daquela criança.  Tão bobinha acreditava que hoje já seria uma borboleta. Mas ainda é lagarta ávida por novos dias, novos sonhos, novas paisagens que me acalmem dos meus medos, das minhas confusões.

Um dia ainda ressucito de vez. Mas se puder escolher, hoje prefiro renascer vaga-lume. Borboletas são só para meninas.