terça-feira, 21 de setembro de 2010
Receitinha para emagrecer
Coma de tudo, só não engula.
Sábio conselho ouvido numa coluna de Salomão Schvartzman, na Rádio Band News FM.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Zécutiva hidratando a libido da equipe
Na janela, ao lado do bebedouro do escritório, é possível espiar os rapazes da empresa do outro lado da rua. No final do expediente, eles passaram a malhar numa academia improvisada, entre as mesas de trabalho. Com direito a arrancar a camisa e fazer pose.
Foi o programa de saúde na empresa mais barato e simples que eu já conheci. Desde então, a mulherada aqui anda muito mais hidratada e inspirada.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A rabiola e uma quase lição de desapego
Orgulhosa que estava com a pipa. Era de plástico, com uma linda boneca desenhada. E uma rabiola enorme de tiras plásticas coloridas. Corria no quintal para empinar o brinquedo. Mas me interessava mais ouvir o plástico do rabo colorido arrastando nas lajotas verdes.
Assistindo aquele sem fim de corridas sem vôo, meu avô cortou a rabiola. Sem o membro desproporcional, ele me mostrou orgulhoso a pipa voar alto. Eu vi minha pipa, lá no alto, bem longe de mim tão pequena e presa ao chão. Chorei, gritei.
Como castigo, fiquei sem almoço e fui mandada para o quarto. Ali presa, debrucei-me na janela para espiar outras pipas no céu. Encarapitada perigosamente no segundo andar da casa, fui surpreendida pela empregada, que lavava roupa no quintal. Negra que era, empalideceu e gritou: acode que a menina vai pular lá de cima.
Nesse dia, eu quase aprendi que tem coisa feita para voar para longe da gente, já que se for coisa querida, a gente se amarra pesadamente como a minha rabiola. Pois depois dos berros, em pouco tempo, ganhei a atenção de olhos assustados, o almoço e a promessa de nova e gigantesca rabiola.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Feliz Desaniversário
Encerro o pior e melhor ano da minha vida. Quem chega até aqui é muito mais perfeita que aquela que começou a jornada arrastando pedaços pelo caminho.
Quando o trajeto começa por falta de opção, ao menos, opte por uma trajetória incrível. E foi assim. Uma separação violenta, e um ano aprendendo a viver plenamente comigo mesma. Encarei um trabalho árduo, mas encontro paisagens muito mais coloridas.
Ainda há muito que trilhar. Levando intacta a capacidade de amar. E hoje, já me pergunto como o pior talvez tenha sido o melhor acontecimento no meu crescimento pessoal. Escapismo? Ou aprender com as dificuldades que a vida oferece? Pouco importa.
Inicio o que espero ser um dos melhores anos da minha vida. Seguindo assim, só por hoje, feliz.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Sobre quebrar a cara
Eu explico a quem perguntar que caí de moto, uma Harlley linda. Mas o Ministério da Saúde adverte: não misture álcool com yoga. Não tente fazer demonstrações idiotas em eventos familiares. O resultado é um ralado gigante na testa e no nariz.
Foi um lembrete. A qualquer momento, estou apta a quebrar a cara. Mas tudo cicatriza. E rende histórias.
Foi um lembrete. A qualquer momento, estou apta a quebrar a cara. Mas tudo cicatriza. E rende histórias.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Exercício de ser feliz
"Não faça do hábito um estilo de vida" orientou Clarice Lispector. Tenho o hábito de não cultivar hábitos mas, ultimamente, abri uma exceção. O único hábito que eu cultivo é ser feliz.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Sou caipira, pirapora
Cafunga baixinho num rincão da minha alma um caipira matuto. Ele pede bença e se aboleta. É quando viola risca ou voz canta a terra e coração. Numa gostança de mato, causos e bulé de café fumegando no fogão de lenha. Pingos d´água querem correr dos olhos.
A querência comovida é melancolia da pureza que só caipira tem. Eu que sempre fui caipira da cidade bebo de Tonico e Tinoco, Catulo da Paixão Cearense, Pena Branca e Xavantinho, Inezita, Rolando Boldrin, tantos outros. E João Pacífico.
Ah! João lembra meu avô, que partiu antes do combinado. Seu jeito de falar, piadista, simples mas tão doce, cabelinhos ajeitados para trás.
- Neto de um burro - ele ralhava quando a gritaria dos meus irmãos atrapalhava a calmaria da tarde.
João Pacífico tocava o músico. Não sabia tocar instrumento, mas compunha como só com o auxílio de um violeiro que ele instruía. Meu avô tocava minha mãe. Ainda moleca, ela ganhou um acordeon de madrepérola dele, comprado com muito esforço. Um dos instrumentos mais lindos que já vi. E minha mãe virou o MP3 dele. Era só visita chegar, a menina tinha que mostrar o talento que ele estufava. Por conta da paixão do meu avô por João Pacífico, minha mãe também ganhou nome da cabloca mais sacana da música caipira . A famosa Cabloca Teresa.
Talvez essa pequena homenagem tenha marcado em mim esse amor pela música da terra. E sempre que escuto uma toada caipira, aperta. Talvez porque simplicidade não é coisa pequena para caber fácil no peito.
A querência comovida é melancolia da pureza que só caipira tem. Eu que sempre fui caipira da cidade bebo de Tonico e Tinoco, Catulo da Paixão Cearense, Pena Branca e Xavantinho, Inezita, Rolando Boldrin, tantos outros. E João Pacífico.
Ah! João lembra meu avô, que partiu antes do combinado. Seu jeito de falar, piadista, simples mas tão doce, cabelinhos ajeitados para trás.
- Neto de um burro - ele ralhava quando a gritaria dos meus irmãos atrapalhava a calmaria da tarde.
João Pacífico tocava o músico. Não sabia tocar instrumento, mas compunha como só com o auxílio de um violeiro que ele instruía. Meu avô tocava minha mãe. Ainda moleca, ela ganhou um acordeon de madrepérola dele, comprado com muito esforço. Um dos instrumentos mais lindos que já vi. E minha mãe virou o MP3 dele. Era só visita chegar, a menina tinha que mostrar o talento que ele estufava. Por conta da paixão do meu avô por João Pacífico, minha mãe também ganhou nome da cabloca mais sacana da música caipira . A famosa Cabloca Teresa.
Talvez essa pequena homenagem tenha marcado em mim esse amor pela música da terra. E sempre que escuto uma toada caipira, aperta. Talvez porque simplicidade não é coisa pequena para caber fácil no peito.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
O relógio do meu avô
Meu pai, todo dia, pela manhã e tarde, dá corda ao relógio de bolso que foi do seu pai. Espio seu ritual, sentado em sua mesa de trabalho. O brilho da prata restaurada, luxo que um ex-pedreiro pode adquirir. O barulho das engrenagens solicitadas.
E é a minha alma que pulsa comovida. Porque ao coração também se dá corda, enlaçando ternura e admiração que tempo de relógio algum pode arrefecer.
E é a minha alma que pulsa comovida. Porque ao coração também se dá corda, enlaçando ternura e admiração que tempo de relógio algum pode arrefecer.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Quando balada rima com roubada
Desconjurei na última balada. Um jazz descolado. Som sensacional. Vinho bom. Amigos queridos. Mas barbudos mil. Gente requebrando até até o chão, como uma roda Exú. Propaganda de festa na PUC. Papo furado político. Oh, god! O ápice foi a garota de poloina vermelha. Se o esquadrão da moda fizesse uma parada ali, um camburão não ia ser suficiente.
E eu só pensava, preciso detetizar minha alma bicho-grilo que insiste em me atrair a esses lugares. Sai Vila Madalena, entra Vila Olímpia. Ou seriam sinais da idade?
Como diz um amigo, vou terminar fazendo balada no tai-chi-chuan da terceira idade do SESC (com direito a estacionamento de andador).
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Muitas perguntas
Quantos vestidos novos cabem no armário repleto de semi-novos? Quantas mudanças fazem a revolução? Quantas andorinhas são necessárias para derrubar um avião?
O problema dos rótulos é que toda e qualquer mudança que se faça no produto precisa ser muito evidente para que as pessoas percebam. Ela tem que gritar colorida na embalagem. E qualquer indício do produto antigo basta para que chutem o pau que mantém sua tão desejada mudança.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Lenineando em horas invertidas
Tudo parece mal. Somente aceitar, é normal. Que a vida é uma miragem. E o tempo exige pressa. Sem esperar a cura da dor.
Adianto o meu relógio. Na paz da solidão, ainda quero estar amada. Saudade de um tempo não vivido. Porque a vida é tão rara.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Eu podia estar matando...
As perebas na alma ainda não estão completamente curadas. Mas ninguém mais tem a caridade (ou o saco) de perguntar se elas coçam ou não. Não sou a Amy Winehouse, não canto como ela, mas tenho recaídas. Principalmente em noites geladas de segunda-feira. É a fase mais temida do rehab. Lamber as feridas muito só, ainda que algumas não alcance.
Eu podia estar matando cachorro a grito, ocupando as linhas do CVV. Sugestão da caixa do supermercado: plantas são ótimas para conversar. A mulher tinha cara de pirada. Desconsiderei aparências. Considerei um ótimo procedimento para não afastar os amigos que ainda me emprestam os ouvidos. E me achando a menina do dedo verde, carreguei esbaforida vasos e vasos para casa.
Felizmente, a pimenteira e o bambuzal, meus interlocutores preferidos, ainda não ousaram me contradizer. E basta eu abrir a boca que o adubo de ambos está garantido. E bambu dá uma rima boa...
domingo, 1 de agosto de 2010
Pouco é muito para ser feliz
Faxina na casa revirada de amigos, samba na beira da pia, na frente do espelho, uma cerveja, várias geladas. Ficar pensando melhor. Sol na varanda, pimenteira brilha. E eu olhando a vida sorrir para mim.
Felicidade clandestina é... batom com brinquedos
Beijar o sábado com batom vermelho. Sorrir sob o sol de sapato novo e amiga velha. Abraçar a tarde brincando por horas na loja de brinquedos mais linda do bairro. Descobrir que toda mulher precisa manter uma caixa de maquiagem ao lado de uma caixa de brinquedos para ser feliz.
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