Um bate-papo teclado, no fim de um dia gelado:
Juliana diz:
Ai, voltei ao tédio pasmacento, alguma sugestão de cura? Acho q vou pular de para-quedas.
Marta diz:
Ah Ju! Mas, então investe num projeto melhor. Já te falei.
Juliana diz:
Tentando! Fazendo de tudo. Mas também é ressaca pós um enorme trabalho.
Marta diz:
Hum. E a sua iniciação no budismo?
Juliana diz:
Mudei de idéia por enquanto.
Marta diz:
Eita. Então, vc deve estar mais calma
Juliana diz:
Estou, o tédio é o sinal disso, bem mais calma. Incrivelmente refeita. Nem acredito q um dia o novo eu caiu na minha cabeça escovando os dentes.
Marta diz:
Foi escovando os dentes? Mesmo? Acho poético.
Juliana diz:
Foi, olhei no espelho e falei: chega de choramingo! Que merda, vc está uma chata. Vc nem queria casar sua louca. Aproveite a sua liberdade, vc ganhou uma nova vida. Vc está livre. E fiquei feliz.
(Silêncio ou falta de letrinhas na tela)
Juliana diz:
Foi assim.
Juliana diz:
Juro.
Marta diz:
Bem lispectoreano.
Sob a concordância da interlocutora dessa conversa, esse blog tem a profundidade de uma piscina infantil, daquelas de plástico de jardim. Mesmo assim eu mergulho de cabeça e quase me afogo. Quem quiser mergulhar junto, cuidado, é raso. Peço somente, não façam xixi na água.