quinta-feira, 13 de maio de 2010

Masoquismo dramatúrgico

Assistir final de novela de Manoel Carlos, após uma separação sórdida, é como choque térmico. A vida tem capítulos lindos, mas nem sempre o final é feliz.

Espero que o autor seja mais generoso nos meus próximos capítulos. E quem sabe eu conheço um galã que não me sacaneie.

Tô certa ou tô errada?



Adorava brincar de Roque Santeiro e imitar a Viúva Porcina. Saudades....

Sem cabimento

Saudades daquela que cabia e acreditava que amor não carece de regras e nem caráter. Não sou Alice, mas tudo ficou menor. Ou eu ou a humanidade.  Esse mundo é pequeno para nós . Está apertado para minhas inquietações no dia a dia sem sentido.

Perco a disputa insensata e egocêntrica. Tenho que arranjar um modo de me fazer caber. Esforçar-me para me guardar de volta ao meu lugar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Síndrome de Gasparzinho

Quero tanto fazer amiguinhos, mas acho que venho assustando todo mundo.

Isso que dá querer ser camarada. Há épocas que é melhor ser transparente e se deixar desaparecer.

Puta é muito gente

Não é nada mole (literalmente) o exercício da prostituição. Exposição a condições de trabalho nada favoráveis, violência, doenças ocupacionais e muito preconceito. Esses homens e mulheres, travestis e demais gêneros nessa lida merecem mais respeito e atenção social. 

Arrasou o programa da Band A Liga sobre a loucura da tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina. Comércio desorganizado, tráfico de muamba, falta de fiscalização. Mas tocou mesmo ao mostrar a mulherada e travestis ralando nas ruas se prostituindo. Um retrato cruel mas registrado com muito humor, carinho e respeito. Por que se alguém tem que ser condenado ao lado negro da força são aqueles exploram o trabalho desses profissionais, ou pior, aqueles que iniciam crianças e adolescentes nessa jornada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Felicidade clandestina é... bala de leite Kids

Roda o baleiro e não deixe que a sorte se intrometa, pega só a bala mais gostosa do planeta.



Uma pérola de Renato Teixeira.

Obs.: Ai, ai, esse post denuncia a idade da mocinha aqui.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Palmirinha c´est moi

Uma bomba de alto poder de destruição acaba de detonar na minha cozinha. Motivo: uma torta de legumes.

As batalhas começaram visando conquistar a chefe de Estado maior, mamãe. Organizei um almoço em casa para tentar impressioná-la. Mas confesso que quem é rainha nunca perde a majestade. E mamis acabou dominando a cena.

Hoje salvei os legumes que sobreviveram ao sukiaki de ontem. Sucesso!! A torta ficou bem razoável (bom, foi o que deu com os ingredientes disponíveis na casa de uma solteira).

Confesso que estou tiquinho orgulhosa de mim. Afinal, eu e a cozinha nunca fomos muito íntimos. Mas acabo de fechar a porta e não vejo a hora da faxineira chegar.

Carta à minha mãe

Mãe, nos últimos meses, eu lhe impus enormes desafios. Nenhuma palavra descrita em dicionário seria suficiente para agradecer seu apoio. Foi muito bom poder retornar ao seu colo e remontar meu coração no seu abraço.

Desculpe pelos sofrimentos que, sem querer, fiz você experimentar. Todos os dias peço a Deus que me perdoe pela avalanche negra em que envolvi você, meu pai e meus irmãos. Espero, sinceramente, que todos vocês possam me perdoar e me libertar da culpa de ser quem eu sou, como sou.

De todo o horror, fica enorme a alegria de ter podido ser mais sua filha.  Você me ajudou a parir, ainda não foi seu netinho, mas foi uma gigantesca força que eu nem sabia que tinha.

Vamos nessa de mãos dadas! Porque por algum motivo, que ainda não entendemos, viemos juntas na pequena passagem dessa vida.

Obrigada por aturar minhas trapalhadas, meus resmungos, minha TPM e minha falta de jeito. Acho que ser mãe é parir diariamente um amor incondicional por seres imperfeitos como eu.

Te amo, mãezinha.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Zécutiva e a fauna de currículos fofinhos

O que esperar de um profissional que lhe manda um currículo por um endereço de e-mail cujo nick name é fofinho_ogostoso?

Fofinho, que tal mandar seu currículo para o Parque da Xuxa?

Síndrome de escaninho

Quem me deixa acha que pode deixar para trás, pela minha vida, todos os seus bagulhos, e buscar a hora que quiser. Já decidi, não devolvo, faço pano de chão, entrego para o palhacinho no farol, queimo.

Pela experiência adquirida, eu devia trabalhar na seção de achados e perdidos do metrô.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mágica imperfeita na manhã de domingo

Domingo, um pobre senhor me abordou, enquanto dava uma voltinha pelas ruas do bairro. Sua história: quatro filhos, mora longe, aluguel, sem emprego, camelô eventual, quando sobra para comprar mercadoria. Mal tinha dentes, apesar de pouco mais de 40 anos.

Pedia nas ruas para se manter. Eu sequer tinha bolsos para sacar-lhe uma moeda. Mas não nego conversa a ninguém. E ele me nocauteou em poucos minutos, dizendo que, apesar de tudo, agradecia todo dia por estar vivo e sorria escancarado.

Ao final, me agradeceu pela conversa. Sacou uma embalagem com duas balas de coco, uma meio mordida, e me ofereceu. Provavelmente, acabara de ganhar de alguém que saía do mercado ao lado. Me espantei, não queria aceitar o pouco que ele tinha. Mas ele insistiu dizendo que eu merecia por dar-lhe atenção.

Peguei a bala meio mordida. Disse que voltaria depois com algum que pudesse lhe dar. Saí desnorteada com tanta beleza. Não voltei. Voltei para minha vidinha de curtição do domingo. Egoísta, simplesmente, esqueci, e perdi a oportunidade de retribuir à doçura deste homem. 

Eu, que espero tanto que a mágica da vida aconteça, quando fui chamada ao palco para auxiliar o mágico, simplesmente deixei o teatro.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Escrita de transbordo



Escrever é transbordar a alma. Meu transbordar tem a violência de cheias ao fim da tempestade. Não cabe em comportas de fingimento.

Sobram os leitos da minha prosa débil. O seu percurso irriga campos e busca desaguar em mares de calmaria.  Agradeço aos navegantes que arriscam percorrer minhas águas turvas.

Luto para preservar a fonte cristalina ameaçada pelo desejo de esgotar o ser.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Felicidade clandestina é... receber parabéns do Cleisonalves

Amanheceu um dia lindíssimo, só para sacanear a terça-feira. Submetida ao suplício da inspeção veicular obrigatória de emissões, me dirigi à Vila Medeiros (a São Paulo que pouca gente conhece), com o auxílio localizador do meu maninho. O bat-móvel, já devidamente revisado, comportou-se regiamente e foi aprovado no teste.

Recebemos um certificado com direito à selinho, e uma empolgada felicitação do Sr. Cleisonalves nos parabenizando pela aprovação. Eu me senti sendo aprovada em Harvard.

Valeu, Cleisonalves! Deu vontade de fazer inspeção todo dia.

Inexoravelmente inseto


Sou o minúsculo inseto preso nas sutis teias da vida. A aguardar o inexorável.  

Tento apreciar um lindo céu e curtir um solzinho.

Quebra cabeças




Não tenho mais todos os meus pedaços. Eles se foram com as pessoas que me deixaram. Com cada uma delas, no fundo de uma gaveta, debaixo de uma cama, tem um pedaço meu enpoeirando. Elas nem se dão conta. É algo que nem lhes interessa, mas para mim faz tanta falta.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Falando em monga...

Minha monja budista falou que todos temos potencial. Buda acreditava em gente como a gente. Vai entender, mas o cara botava fé que nós, malucos, neuróticos, depressivos e variações, podemos atingir a iluminação.

Tento confiar na minha capacidade, mas confesso que, até então, me sinto uma monga. Agarrada às minhas delusões, apegos e me sentindo a casca do pão de forma, que ninguém quer e sempre mofa no fundo do pacote.

As meditações são como se as ondas revoltas dos meus pensamentos se acalmassem. Mas somente guiada consigo dominar a maré. Depois reinicia a ressaca que transborda em muitas lágrimas e palavras indesejáveis.

Sempre convivi com esse maremoto contínuo de pensar. Mas tornou-se incontrolável depois que tudo horrível aconteceu. Antes era um maremoto de ânsia de viver, agora um revolver de águas profundas e negras de tristeza e abandono.

Mergulho profundamente nessas águas procurando uma corrente que ajude a aceitar com paciência tanto sofrer que resvalou em tantas pessoas que amo.

Pare de se perguntar por que. Ouvi tantas vezes isso. Externamente parei. Mas busco refúgio numa explicação espiritual, cármica. Por que não entendo como meu amor resiste ainda a tantos golpes.

Aplaquei o ódio, mas até me arrependo, os deuses que perdoem. O ódio me preenchia, me movia, me fazia respirar. Sem ele, parece que a tampa de um buraco profundo, bem no meio do peito, foi arrancada. E esse buraco lateja de ausência, saudades, melancolia, inveja.

É horrível, sou horrível. Aceitar e ser constante, são meus mantras para a felicidade. Espero que Buda não tenha dançado na aposta.