quinta-feira, 7 de março de 2013

Fim de caso

As palavra cansaram-se de mim. Sei que há muito tempo, não as convido para rir de uma história, num textinho gostoso de fim de dia. Nem ligo para atualizá-las das novidades da vida, em um dois parágrafos rápidos. É que não quero desgastá-las com minhas mesmas lamúrias, meus medos.

Chegamos a ser tão íntimas. E hoje, nem mais daquela ironia fina temos compartilhado. Elas têm me abandonado. Não me chamam para nenhuma frase. E nem me contam novos parágrafos.

Definitivamente, estou de mal dessas palavras desnaturadas. Sei que elas ainda me procurarão, quando eu estiver um pouquinho melhor. Tenho certeza que não resistirei a aceita-las de braços abertos.

Mas mesmo amando-as, elas me pagarão. Elas que nao me pecam qualquer piedade com a ortografia, iprocritas,  e acentuação novamente, so se elas forem muito boasinhas. Nenhum corretor ortografico vai me impedir. Tenho dito.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Já postou sua felicidade hoje?

Atualmente, não desconfie apenas do que as pessoas aparentam ser, desconfiem do que elas postam ser. Fuja das redes sociais, se você estiver meio chateado, na TPM, entediado. É como fazer supermercado com fome, você fica se perguntando porque não tenho tudo isso no meu carrinho. É impossível não se perder em imagens de paisagens, sorrisos, festas, viagens e bebês fofos. Mas quem já não fez supermercado morrendo de fome e passou no caixa laricas inacreditáveis?

Afinal, a obrigação de ser feliz tornou-se causa de infelicidade na nossa sociedade, segundo a jornalista Eliane Brum, no texto Permissão para ser INfeliz. Vale a pena ler.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reclama para Dilma?

Fim do horário de verão. Não quero a hora que me devolvem hoje. Não é a mesma que surrupiaram meses atrás. Enquanto olho para as paredes insossas de um quarto de hospital, me enfiam goela abaixo a hora que me tiraram.

Depois do torturante despertar uma hora mais cedo por dias a fio, agora tenho mais uma hora para olhar as paredes insossas do hospital.

Não aceito nesse momento, guarda para eu usar mais tarde, em momento mais oportuno.  Eu quero com juros. Quero que embrulhe. Ah, e é para presente, tá?

Com quem que eu reclamo?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ela fazia muitos planos

Obcecada por planos para o ano. Poderia ser sinal de maturidade. Mas quando os planos mais excitantes incluem parques de diversão, rezo para que um dia um cresça. Embora, não canse de rir, quando ele diz que só pode ser pedófilo diante da minha meninice. Embora, saque um lápis da Hello Kitty na reunião de trabalho e não dispense desenho animado antes de dormir.

Ainda custo a reconhecer no espelho meus anos, embora reconheça saudades de cada um deles. E faço planos para um tempo que nunca me pareceu suficiente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Avós para visitar sempre

"a vó tinha um nome feio. hermantina. her-man-ti-na. só ela gostava, era uma homenagem a hermes da fonseca, aquele presidente de quem ninguém se lembra. nós, os netos (quase 40, imagina), a chamávamos de vó gorducha. eu nunca soube quem deu o apelido, mas fazia sentido. não que ela fosse gorda, mas tinha o colo mais gostoso desse mundo, daqueles que curam tristeza de criança melhor que sorvete".


Muito bom, colo de vó coletivo, ainda que virtual, aqui em http://ahvo.wordpress.com/

domingo, 6 de janeiro de 2013

Para presente

Começou empacotando um dedo mindinho. Como ele não fizera falta, experimentou guardar mais dois ou três dedos.

Embalava-os em embrulhos coloridos para, quem sabe um dia, a coragem rasgar cada um deles. Já tinha guardado em papel presente vários dedos, toda uma perna, quando pessoas notaram. Tarde demais.

Estava distribuída em caixas lindas, adornadas em fitas. Alguém ainda teve idéia . Depois de ser aproveitada para decoração de Natal, seus pacotes foram encaminhado para reciclagem.
 
Seria vacuidade? Não tinha certeza, afinal distribuiu a pessoas queridas pedaços. Nada grande que estorvasse. Uma piscada, um cheiro, um trejeito único. Mas ninguém confirma se os guardaram ou perderam por aí.

Só deixou recomendações para preservação de um pacote. À guisa de epitáfio, a embalagem do sorriso levava um pequenino cartão escrito em letra miúda: guarde, por que embalagens de presente e sorrisos nunca deveriam ser esquecidos, ainda mais quando abertos juntos.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tal qual uma Playboy

Arrancou a roupa das palavras, para mostrar o seio nu do pensamento. Um bico rosado apareceu da poesia, embora tentasse esconder em vão a teta murcha de idéias incertas.

Por que a palavra escrita é sem vergonha. Saiu de braço dado mostrando a bunda.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Corando

Aninha e suas pedras
Cora Coralina
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Incendiando a contabilidade de 2012

Final de ano tem cheiro de fumaça de rescaldo. É resfriar aquilo que chamuscou. Contalibilizar o que se consumiu. Abraçar o que se salvou. Abandonar a limpeza das fuligens das paredes. Acomodar todos os pertences num sorriso, e finalmente seguir para morada de um novo ano.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Calendário em descompasso

De que adianta a sexta-feira, se aqui tem sido uma eterna segunda-feira? E nos sábados , é no máximo quarta-feira. E os domingos se emendam, depois que cai a noite, entre compridas segundonas.

Mas a sexta-feira ainda há de chegar, e até a quinta-feira vai ter sua beleza, assim como a quarta-feira sua graça e a terça vai ser até agradável. Mas a segunda, segue sendo a segunda, tem jeito não.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Não me engana que eu gosto

Talvez eu morra hoje. Quem pensa nisso ao acordar? Tão óbvio, mas difícil de acreditar. Mais provável a certeza de cometer um homicídio quando é o cliente cobrando, funcionário aprontando, fechamento chegando e a geladeira pifada de novo.

Ai, se eu morro hoje ia ser uma merda. É uma idéia mais recorrente, nos finais do dia, ou quando a gente se pega enlouquecendo com uma fechada na rua, um trabalho mal feito, uma conversa indesejável.

Nem as aparências deveriam enganar. Essa vida é coleção especial de marca chique para loja de departamento. A gente acredita que está arrasando comprando aquela peça por precinho aceitável em 12 vezes no cartão sem juros. Mas desconjura logo depois da primeira lavada.

Nem a marca chique, nem as lojas Marisa deveriam ter tanto poder de me fazer feliz. Nem o playboy que me fecha, nem o cliente que me xinga poderiam me fazer tão infeliz. Por que não vou levar nada disso, quando eu bater as botas. Óbvio, mas quem pensa nisso ao surtar?

Todo ser humano quer ser feliz e parar de sofrer. Toda vez que escuto a máxima budista, complemento mentalmente com minha mente intoxicada: ser feliz, parar de sofrer e perder 5 quilos. E embora todas as minhas ações sejam orientadas para isso, vira e mexe me entupo de chocolate, raiva, apego e egoísmo.

A gente se engana que ainda vai ter todo o tempo do mundo para ser feliz, a precinhos módicos, sem muito esforço. Mas essa ilusão não encara uma ensaboada de sabedoria sem desfazer.

Talvez eu morra hoje. E pelo menos talvez possa ter feito algum bem a alguém lembrando que também esse pode ser seu último minuto. Talvez eu tenha feito alguém feliz por um minuto.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Telefonia menstrual

Celular de mulher deveria ter detector de hormônios. No auge da TPM, bloquearia todos os contato exceto os números da polícia, bombeiro e da casa da mãe.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Bem-te-vivi

Canto acima das antenas de televisão. Mas meu ninho construo bem longe dos olhos. Escondo o abrigo mas arregalo as sombrancelhas e espalho bem alto. Bem-te-vi mundo doce pitanga. Felicidade é isso, apesar dos pesares.