1- Princípio da larica, fazer o que dá com o que tem.
2- O fundo do poço tem porão. Nunca diga que pior não fica.
3 - Não é gambiarra, é RTA - recurso técnico alternativo.
4- A humanidade é inviável, mas ainda não conseguimos contratar apenas poodles coloridos.
Vamos complementando nosso pessimismo ao longo da construção de novas mínimas.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Vigilante do jeito
Quero aprender cozinhar palavras doces. Deixá-las de molho para que amoleçam. Retirar qualquer espinho que machuque ouvidos delicados. Aquecê-las devagar com breves pausas e sem pressão. E cobrí-las de caramelo ao ponto da delicadeza. E ainda me farto de doçura, assim como tem me enjoado a acidez das frases que preparo hoje. Nesse dia, acho um ponto para acertar o sal e o doce e nunca mais fujo da dieta.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Vagareza
Sou de vagar. Vagar sonhos e expectativas para o novo ocupar. Ainda aprendo que sonhos não deveriam ocupar espaços. Porque o único desejo válido é justamente acordar do sonho.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Das calcinhas que eu bagunço
Ser feliz é questão de coragem e disciplina. E eu tenho medo por não conseguir nem manter a ordem da minha gaveta de calcinhas. De tempos e tempos, saio arrumando tudo, com a certeza de que vou bagunçar novamente.
Fiz lista de tarefas para organizar as gavetas dos dias que se desorganizam. Tempo para contemplar os dias e espaço para circular os sentimentos. São novos dias de armários enxutos, renunciando às montanhas de quinquilharias inúteis a soterrar a vida. Guardando com apreço só aquilo que me faz feliz.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Coração botando ovo
"Minha saudade é tanta que meu coração parece uma galinha. Ele vai sair correndo pela sala e eu não vou conseguir alcançar".
Dele, que fez meu coração parecer um pintinho carente
Dele, que fez meu coração parecer um pintinho carente
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Zécutiva: roupa suja a gente fala mal em casa
Sinto frio na espinha toda vez que sou solicitada a dar referências de ex-funcionários para possíveis contratantes. À parte os casos de pessoas com comportamentos condenáveis gritantes - falta de ética, falta de compromisso, desrepeito - detesto esse poder de interferir na avaliação de outra pessoa. Alguém que não se adapta num contexto, pode muito bem ser a solução em outros lugares.
Assim como nos casamentos, a maioria dos contratos termina por que alguma coisa deixou de funcionar. Mas falar mal de ex a gente só faz entre amigos. A não ser aqueles casos que o ex é a encarnação do traste.
Redes de relacionamento profissional, sites de empregos dão espaços para que profissionais referenciem-se uns aos outros. É um banho de elogios. Nunca vi ninguém comentar: fulano atrasava todo dia, tinha problemas de relacionamento terríveis com a equipe, não respeitava prazos. É só babação de ovo.
Redes de relacionamento profissional, sites de empregos dão espaços para que profissionais referenciem-se uns aos outros. É um banho de elogios. Nunca vi ninguém comentar: fulano atrasava todo dia, tinha problemas de relacionamento terríveis com a equipe, não respeitava prazos. É só babação de ovo.
São frequentes os casos em que me sinto ex-mulher com poder de decidir o destino de ex. É só um gaguejar de palavras muito bem medidas, quando o ex-funcionário não cometeu nenhum pecado capital, apenas não rolou por uma divergência de interesses. Além disso, se uma pessoa que trabalhou há 5 anos atrás comigo pode ter melhorado, piorado e até mudado de sexo. Quem sou eu para condenar ou promover um ser por um intervalo de tempo que convivi com ele no passado?
Não significa que seja uma santa com a equipe. Em geral, tenho que me controlar para não criticar exageramente, não ser dura. Mas é sempre aquela história, roupa suja se lava em casa. Se for lavar em outro tanque, fica de olho por que não serei eu a apontar as manchas.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Confeitaria sentimental
"Moço: toda saudade é uma espécie de velhice."
Guimarães Rosa
Sou massa de saudades. Elas fermentam e transbordam disformes. Queimam nas bordas mas mantêm-se cruas por dentro.
Guimarães Rosa
Sou massa de saudades. Elas fermentam e transbordam disformes. Queimam nas bordas mas mantêm-se cruas por dentro.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Arriando as calças da consciência
Embora exiba renovadas idéias e comportamentos, como roupas novas e descoladas, ainda me frustro quando me deparo com as calcinhas furadas dos meus mais antigos desejos. São peças vexatórias e puídas. Mas são confortáveis. Ou recebidas de alguém em algum momento e guardadas no fundo da gaveta. Como aquele presente de tia, que você nunca vai usar, mas não doa achando que um dia vai encarar.
Toda vez que arrio as calças da minha consciência, eu me envergonho. Ela é brega e completamente fora de moda. Insiste em uns modelões de arrepiar qualquer bom senso.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Feliz por um triz
É isso, mas depois a gente comenta. Bibelô em música da minha xará linda Juju Fina Flor, phiníssima por sinal:
Feliz por um triz
Feliz por um triz
Sou feliz por um triz
Por um triz sou feliz
Por um triz sou feliz
Mal escapo à fome
Mal escapo aos tiros
Mal escapo aos homens
Mal escapo ao vírus
Passam raspando
Tirando até meu verniz
O fato é que eu me viro mais que picolé
Em boca de banguelo
Por pouco, mas eu sempre tiro o dedo - é
Na hora da porrada do martelo
E sempre fica tudo azul, mesmo depois
Do medo me deixar verde-amarelo
Liga-se a luz do abajur lilás
Mesmo que por um fio de cabelo
Sou feliz por um triz
Por um triz sou feliz
Eu já me acostumei com a chaminé bem quente
Do Expresso do Ocidente
Seguro que eu me safo até muito bem
Andando pendurado nesse trem
As luzes da cidade-mocidade vão
Guiando por aí meu coração
Chama-se o Aladim da lâmpada neon
E de repente fica tudo bom
Mal escapo aos tiros
Mal escapo aos homens
Mal escapo ao vírus
Passam raspando
Tirando até meu verniz
O fato é que eu me viro mais que picolé
Em boca de banguelo
Por pouco, mas eu sempre tiro o dedo - é
Na hora da porrada do martelo
E sempre fica tudo azul, mesmo depois
Do medo me deixar verde-amarelo
Liga-se a luz do abajur lilás
Mesmo que por um fio de cabelo
Sou feliz por um triz
Por um triz sou feliz
Eu já me acostumei com a chaminé bem quente
Do Expresso do Ocidente
Seguro que eu me safo até muito bem
Andando pendurado nesse trem
As luzes da cidade-mocidade vão
Guiando por aí meu coração
Chama-se o Aladim da lâmpada neon
E de repente fica tudo bom
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Saudades em calda
Vó, carinho de tarde fria.
Um grito antigo de vogal comprida.
Ao pé do fogão, ninguém mais cozinha.
Saudades é maçã cozida.
Um grito antigo de vogal comprida.
Ao pé do fogão, ninguém mais cozinha.
Saudades é maçã cozida.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Barbeiragens na vida sem manobrista
Tentei ser boa filha, boa aluna, boa amiga, boa namorada. Consegui apenas ser boazinha, só esqueci de ser boa para mim. Temi a solidão. Sempre valorizei opinião ou apoio. E reforcei frustrações toda vez que não atendi aos conselhos recebidos.
Mudar velhos hábitos é mais difícil que estacionar em shopping na véspera de Natal. É preciso otimismo, paciência e persistência. Não tem sensor de ré e muito menos manobrista. É uma busca solitária e cheia de buzinadas. E quem está do seu lado, geralmente, vai insistir em relembrar as barbeiragens que já fez pelo caminho.
Estou refazendo as rotas com muita dificuldade. Sozinha. Evitando parar para perguntar e me desorientar. Mas me perdendo muito e cada vez mais, embora mantenha a sensação que não saí do lugar. Tomando muita buzinada. Manobrando muitos medos, e me ralando toda.
Ainda não vislumbro destinos. Tento confiar em que ainda aprenderei a ser boa. Boa em apontar o que é melhor para mim. Boa em me manter feliz e me perder menos. Boa em valorizar quem eu sou e o que penso.
Mudar velhos hábitos é mais difícil que estacionar em shopping na véspera de Natal. É preciso otimismo, paciência e persistência. Não tem sensor de ré e muito menos manobrista. É uma busca solitária e cheia de buzinadas. E quem está do seu lado, geralmente, vai insistir em relembrar as barbeiragens que já fez pelo caminho.
Estou refazendo as rotas com muita dificuldade. Sozinha. Evitando parar para perguntar e me desorientar. Mas me perdendo muito e cada vez mais, embora mantenha a sensação que não saí do lugar. Tomando muita buzinada. Manobrando muitos medos, e me ralando toda.
Ainda não vislumbro destinos. Tento confiar em que ainda aprenderei a ser boa. Boa em apontar o que é melhor para mim. Boa em me manter feliz e me perder menos. Boa em valorizar quem eu sou e o que penso.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Nada mais que a verdade
Aspirar o mundo e cair no choro. E mesmo insistindo, há quem não se acostume com o cheiro da vida. Nada mais justo que uma forte alergia para justificar olhos vermelhos.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A rosa-dos-ventos da vida
E foi assim com Fernando. Uma luz intensa mas tão breve que fomos nós que ficamos recém-nascidos. Recém tocados pela impotência. Engatinhando no luto. Provando a fragilidade da vida.
Fernando, tão pequeno, de alguma forma foi mestre. Ensinou-nos na prática o amor e a transitoriedade. E a vida agora não se explica, apenas esgota-se. E para esgotar, tem que desaprender a decepção, a revolta, o desancanto e o desamparo. Viver lições pachorrentas de paciência e aceitação.
Escrevo para mapear em palavras algo que ainda não encontro em sentimentos. Por que talvez seja a vida uma grande aula de cartografia. Apresentando-nos sempre novos lugares para serem interpretados.
Sempre odiei meus cadernos de cartografia, no colégio, percebo que era falta de imaginação. Não enxergava nos mapas a realidade que representavam, como não imaginei que passaria por tanto desnorteamento. Queria um GPS que funcionasse e me levasse ao menos uma vez ao lugar que planejei.
Mas viver é um desbussolamento só.
Depois de um dia de sol, pode-se esperar pelas estrelas. A lição amarga é adoçada pela constelação de lembranças que nos guiam para seguir a navegação.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Desejos na despedida
Que a dor esgote, assim como as palavras.
Que nosso amor transborde e adoce essa saudade.
Que a intensidade da breve felicidade reverbere sempre sua presença.
E que a vida volte a um amanhecer ensolarado que nos ilumine como o seu sorriso.
Adeus, pequeno.
Que nosso amor transborde e adoce essa saudade.
Que a intensidade da breve felicidade reverbere sempre sua presença.
E que a vida volte a um amanhecer ensolarado que nos ilumine como o seu sorriso.
Adeus, pequeno.
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