quarta-feira, 14 de maio de 2014
Felicidade clandestina: beco com saída
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Bife de fígado mal passado
segunda-feira, 24 de março de 2014
Quando ser abduzido, virou bom negócio
Sabe a cotação do dólar, mas não imagina o preço do feijão. Defende o porte de armas, mas esculacha quem porta um baseado no bolso.
É moderninho, descolado, da balada, mas odeia gays e lésbicas. É negro e faz trabalho social, mas não sai dos Jardins por que São Paulo é violento.
Reclama dos preços de carros blindados, mas comemora quando a polícia mata seis no seu bairro. Defende linchamento de trombadinhas, mas ainda sonha com um mundo melhor para os seus filhos.
É a Marcha da Família Dando Ré e nos atropelando todos os dias. Além daquelas violências que pingam sangue no noticiário, são as pequenas violências de uma cidade cada vez mais retrógrada.
Alguém apaga a luz que esse mundo está uma merda! Volta e vamos recomeçar. Do começo.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Compartindo as maluquices
Nunca encontrei definição tão boa para esse sentimento que me persegue desde criança: déficit de vivência. É a sensação de não estar vivendo na intensidade e quantidade suficiente o que a vida tem a oferecer. E já foram muitas noites, desde criança, que acordei angustiada por achar que a vida estava passando ao largo de mim.
Fiquei feliz hoje por ler um pequeno depoimento de outra pessoa que expressou tão bem o que eu sinto. Sempre julguei esse nível de angústia maluco e solitário. Mas bom saber que não estou só.
Falta treinar para mudar essa régua exigente. Não há medida certa para a quantidade ou intensidade. Há idéias preconcebidas de como eu gostaria que fosse. Mas crescer é descobrir que querer não é poder, ou nesse caso, viver. Ao menos, já começo a desejar aceitar com alegria, embora o sono ainda por vezes vá embora.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Naufragiando
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Adeus meu docinho de goiaba
Não sei por que você gosta tanto de roupa preta. Ouvi minha avó, enquanto me olhava no espelho. E vi uma saudade ainda fresca por sua partida. E assim, um rosário de suas falas se repetiram na minha lembrança. Por que você não corta um pouquinho esse cabelo? Gosto de te ver de saltinho.
Vão as pessoas, ficam as palavras, ecoando no vazio que elas deixaram um dia. Queria encontrar um jeito de arrumar tanta palavra querida. Dispor em vasos mesmo aquelas que racharam. E pendurar em bonitas molduras toda palavra que me foi cara.
Vó, suas palavras guardaria na cozinha. Docinhos de goiabinha, bolinhos de carne, minha casa, pãozinho com molho, xicarazinha de água de arroz, o Rafa era bonzinho, nêga, Daniel era triste, panelinha de ferro, gelinho de laranja, seu avô, minha neta.
Desculpe, vó, se eu misturo suas palavras às tantas gulodices deliciosas que você fazia. Mas onde eu mais gosto de imaginar suas palavras são naquela sua cozinha minúscula debaixo da escada da sua casa.
Era a terceira cozinha que você fez o vô construir na casa. A menor de todas para não dar tanto trabalho de limpar. Cabiam no máximo duas pessoas. E ali naquele cubículo, você era tão feliz. Reinando entre suas panelas.
Pena que um dia a vida te tirou do seu mundinho. Outras cozinhas e menos receitas. E você foi perdendo por esse mundão a alegria das palavras meladas e cheias de diminutivos.
Espero, onde quer que você esteja, que retome a receita da sua felicidade. Mas que ela seja muito maior que qualquer espaço.
Seja muito feliz, não tenha medo, siga em frente! Eu te amo para todas as vidas.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Morar sozinho, a solidão não mata. Mata é não conseguir abrir o vidro de palmito. Ou cortar o dedo e esguichar sangue por toda casa, sem ninguém para procurar um band aid. Ou ter a maldita pia cheia de louca sem ter com quem discutir quem vai lavar.
Do mais, é só um jeito de morar. Palavra de quem morou junto e foi solitário.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
exposta
domingo, 12 de janeiro de 2014
Felicidade clandestina... domingo de manhã
Gosto de pão de queijo quente com requeijão escorrendo. Cheiro de café novo. Na televisão, programas de culinária de receitas que não serão colocadas em prática. E um desejo que estes momentos não terminem nunca.
Domingo de manhã é felicidade.