Tentei ser boa filha, boa aluna, boa amiga, boa namorada. Consegui apenas ser boazinha, só esqueci de ser boa para mim. Temi a solidão. Sempre valorizei opinião ou apoio. E reforcei frustrações toda vez que não atendi aos conselhos recebidos.
Mudar velhos hábitos é mais difícil que estacionar em shopping na véspera de Natal. É preciso otimismo, paciência e persistência. Não tem sensor de ré e muito menos manobrista. É uma busca solitária e cheia de buzinadas. E quem está do seu lado, geralmente, vai insistir em relembrar as barbeiragens que já fez pelo caminho.
Estou refazendo as rotas com muita dificuldade. Sozinha. Evitando parar para perguntar e me desorientar. Mas me perdendo muito e cada vez mais, embora mantenha a sensação que não saí do lugar. Tomando muita buzinada. Manobrando muitos medos, e me ralando toda.
Ainda não vislumbro destinos. Tento confiar em que ainda aprenderei a ser boa. Boa em apontar o que é melhor para mim. Boa em me manter feliz e me perder menos. Boa em valorizar quem eu sou e o que penso.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Nada mais que a verdade
Aspirar o mundo e cair no choro. E mesmo insistindo, há quem não se acostume com o cheiro da vida. Nada mais justo que uma forte alergia para justificar olhos vermelhos.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A rosa-dos-ventos da vida
E foi assim com Fernando. Uma luz intensa mas tão breve que fomos nós que ficamos recém-nascidos. Recém tocados pela impotência. Engatinhando no luto. Provando a fragilidade da vida.
Fernando, tão pequeno, de alguma forma foi mestre. Ensinou-nos na prática o amor e a transitoriedade. E a vida agora não se explica, apenas esgota-se. E para esgotar, tem que desaprender a decepção, a revolta, o desancanto e o desamparo. Viver lições pachorrentas de paciência e aceitação.
Escrevo para mapear em palavras algo que ainda não encontro em sentimentos. Por que talvez seja a vida uma grande aula de cartografia. Apresentando-nos sempre novos lugares para serem interpretados.
Sempre odiei meus cadernos de cartografia, no colégio, percebo que era falta de imaginação. Não enxergava nos mapas a realidade que representavam, como não imaginei que passaria por tanto desnorteamento. Queria um GPS que funcionasse e me levasse ao menos uma vez ao lugar que planejei.
Mas viver é um desbussolamento só.
Depois de um dia de sol, pode-se esperar pelas estrelas. A lição amarga é adoçada pela constelação de lembranças que nos guiam para seguir a navegação.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Desejos na despedida
Que a dor esgote, assim como as palavras.
Que nosso amor transborde e adoce essa saudade.
Que a intensidade da breve felicidade reverbere sempre sua presença.
E que a vida volte a um amanhecer ensolarado que nos ilumine como o seu sorriso.
Adeus, pequeno.
Que nosso amor transborde e adoce essa saudade.
Que a intensidade da breve felicidade reverbere sempre sua presença.
E que a vida volte a um amanhecer ensolarado que nos ilumine como o seu sorriso.
Adeus, pequeno.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Esfregando carambola na cara da sociedade
Esse blog foi criado para desabafos e impressões mais íntimas de mim para mim mesma. Algo tão complexo e profundo que, segundo o Google, uma das expressões que mais traz visitantes a esse espaço é mulher carambola.
Sente o drama e SIMATA, mulher banana!
Sente o drama e SIMATA, mulher banana!
Deus e o diabo no menu do jantar
Deus come quieto, mas o diabo lambe os beiços e os pratos, alertou Guimarães Rosa. E de empolgação, a gente acompanha o segundo. Come que se farta da vida. Por fim, contabilizamos o que dá para digerir, arrotamos o necessário e juramos nunca mais encarar a ressaca de não consumir a vida com moderação.
E torcemos para que, ao menos, no cafézinho, junte-se à mesa um anjo. De xícara em punho e mindinho em riste, ele se oferece para tirar os pratos e juntar as migalhas. Mas a prevenção dura até a próxima tentação. Por que Deus serve arroz integral com frango, enquanto o diabo prepara costelinhas no mel com pudim de sobremesa.
E só me repito: vai minha filha! Vai ser avestruz na vida, por que você não nasceu para dieta de passarinho.
E torcemos para que, ao menos, no cafézinho, junte-se à mesa um anjo. De xícara em punho e mindinho em riste, ele se oferece para tirar os pratos e juntar as migalhas. Mas a prevenção dura até a próxima tentação. Por que Deus serve arroz integral com frango, enquanto o diabo prepara costelinhas no mel com pudim de sobremesa.
E só me repito: vai minha filha! Vai ser avestruz na vida, por que você não nasceu para dieta de passarinho.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
O portão
O portão da casa da minha avó era um pouco mais alto que eu-menina, arrastando boneca. Quando a noite se pintava de café com leite, diariamente, era proferida a pergunta solene: alguém já fechou o portão? Enquanto um se encarregava da medida, todos na sala ouviam o passar da corrente, quase sem respirar, até o cadeado pender num baque entre as grades.
Hoje, são tempos de portões automáticos, acionados remotamente, encerrados em voltas entre lençóis ou trancas de Rivotril. Memória é arquipélago. Fiquei nadando em volta daquele portão, depois de um dia longo que parecia não terminar. E eu voltei àquele acerto de contas cotidiano que encerrava e reabria novo dia. Proteção nada ingênua, que minhas noites de insônia vêm ensinando a saudar.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Sentindo pelo avesso
E pelo avesso vai doendo tudo aqui*. Por que do direito, ser feliz é exercício. Cansa e faz doer até os ossos. Alongo as dores em penas sem sentido. Mas de que importa o sentido se a gente está sentindo?
* de doces Borboletas no Olhos da Lu.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
ZÉCUTIVA: Mimimi
Será que são recorrentes, em outros botecos, os dias em que a máxima gerencial resume-se a me abraça que eu não dou conta?
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Dos diálogos esclarecedores com os homens
- Acho que o penúltimo carinha que eu saía fugiu depois que eu fiz ele assistir comigo o programa da Inezita Barroso, que eu amo.
- Hahahahahahahaha! A gente quer ver filme pornô com as pretendentes, não Inezita Barroso.
O título deste post também poderia ser porque eu sou um bicho estranho.
- Hahahahahahahaha! A gente quer ver filme pornô com as pretendentes, não Inezita Barroso.
O título deste post também poderia ser porque eu sou um bicho estranho.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Da sapiência do não saber
“Eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos.”
Manoel de Barros
Quanto mais eu vivo, sinto o enlevo de não saber. Por que, quanto mais eu sei, pressinto o dissabor do que há de ser.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Meditando sobre os próprios hormônios
Mude sua mente, mude seu mundo (Geshe Kelsang Gyatso). Se duvidar da proposição, consulte uma mulher na TPM. É tão científico.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
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