terça-feira, 20 de abril de 2010
Furando nuvens
Mesmo com tempestades, o céu continua sendo uma imensidão azul. A arte é viver acima das nuvens.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Água viva na fonte
Desejo tão apenas água pura e cristalina. Adentro a mata fechada do meu coração, enquanto procuro encontrar e reencontrar a fonte em mim.
P.S.: Obrigada Clarice, tão clara mas também profunda.
P.S.: Obrigada Clarice, tão clara mas também profunda.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O fim do amor é...
Uma caixa de lápis de cor, arrancada das mãos.
Um relógio parado, quebrado no momento de um terremoto.
Um nadador cansado, desesperado por terra firme.
Um ingrediente estragado, despejado na sua receita.
Um relógio parado, quebrado no momento de um terremoto.
Um nadador cansado, desesperado por terra firme.
Um ingrediente estragado, despejado na sua receita.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Menininha
Para nascer de novo, a gente tem que ser criança. E nos últimos dias, tenho me sentido assim... tão menininha.
"Valsa para uma menininha", lembro de mim, garotinha, ouvindo essa música, olhando o disco rodar na vitrola de luz azul.
"Menininha do meu coração, eu só quero você, a três palmos do chão". Sempre me chocava esse trecho. Achava que era prefirível que ela fosse enterrada numa cova rasa, a crescer. O mundo devia ser mesmo muito ruim.
Hoje, estou a um pouco mais de três palmos do chão. Já sofri de repente a minha desilusão. E luto contra os meus bichos papões.
Alguém chama a Super Nanny?
Valsa para uma menininha
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Síndrome de Mortal Kombat
Nascer e morrer são os acontecimentos mais naturais da vida. Viver é que é extraordinário.
Por isso eu morro e renasço muitas vezes, para que o extraordinário possa florescer, adubado pelo passado enterrado.
Por isso eu morro e renasço muitas vezes, para que o extraordinário possa florescer, adubado pelo passado enterrado.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Filme de terror
Você me procura e eu sei que me faz mal. É como um filme de terror, não resisto, mas sei que não vou dormir à noite.
Eu tenho a foooooooorça
Eu imagino, enquanto apreendo um novo mundo para mim e todas as pessoas ao meu redor.
O problema não está ali, ele está aqui.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Pelo muro da escola
No intervalo da aula, pulava o muro da escola e atravessava a rua até o clube atlético para ver os meninos na aula de natação. Uma aventura que repetia todas as terças-feiras. Ansiava por aquele momento, com um frio na barriga que explodia quando o sinal tocava.
Ofegante, observava corpos quase tão infantis quanto o meu. Músculos ristes, em posição, um mergulho profundo. Braçadas duras, pernas em movimento. Uma sensação inquietante dominava o meu corpo.
Suada, corria de volta à aula e afogava meu iniciante desejo. A semana seguia. Voltava à amarelinha, mãe-da-rua e pique-esconde. Mas na terça-feira, o frio na barriga retornava.
Foram muitas travessias entre o muro e a minha infância. Sinto o cheiro de cloro, o barulho na água e o sinal da aula me alertando. Hoje, percorro a lembrança e não encontro o caminho de volta.
Obs.: Esse é o resultado de uma oficina literária que um querido amigo me levou, há algum tempo atrás. Aceito as críticas, como boa escritora iniciante.
Ofegante, observava corpos quase tão infantis quanto o meu. Músculos ristes, em posição, um mergulho profundo. Braçadas duras, pernas em movimento. Uma sensação inquietante dominava o meu corpo.
Suada, corria de volta à aula e afogava meu iniciante desejo. A semana seguia. Voltava à amarelinha, mãe-da-rua e pique-esconde. Mas na terça-feira, o frio na barriga retornava.
Foram muitas travessias entre o muro e a minha infância. Sinto o cheiro de cloro, o barulho na água e o sinal da aula me alertando. Hoje, percorro a lembrança e não encontro o caminho de volta.
Obs.: Esse é o resultado de uma oficina literária que um querido amigo me levou, há algum tempo atrás. Aceito as críticas, como boa escritora iniciante.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A ameixeira e o muro
- Meu pai, não corte a ameixeira!
Meu corpo magro se interpunha entre a árvore enorme e um machado escuro. Ele me olhou ressabiado. Não disse palavra. Abaixou o cabo e saiu ruminando.
Naqueles poucos segundos, uma enorme distância ficou clara entre nós. Ele um homem prático, duro. Eu, apegado à mãe, livros, fantasias. Não me senti vitorioso ao deter o machado de meu pai.
No dia seguinte, quando voltei da escola, a árvore jazia. Espiei meu pai que esboçou um sorriso de vergonha. Valente, a ameixeira tombara mas derrubara o muro.
Obs.: Esse é o resultado de uma oficina literária que um querido amigo me levou, há algum tempo atrás. Aceito as críticas, como boa escritora iniciante.
Meu corpo magro se interpunha entre a árvore enorme e um machado escuro. Ele me olhou ressabiado. Não disse palavra. Abaixou o cabo e saiu ruminando.
Naqueles poucos segundos, uma enorme distância ficou clara entre nós. Ele um homem prático, duro. Eu, apegado à mãe, livros, fantasias. Não me senti vitorioso ao deter o machado de meu pai.
No dia seguinte, quando voltei da escola, a árvore jazia. Espiei meu pai que esboçou um sorriso de vergonha. Valente, a ameixeira tombara mas derrubara o muro.
Obs.: Esse é o resultado de uma oficina literária que um querido amigo me levou, há algum tempo atrás. Aceito as críticas, como boa escritora iniciante.
Felicidade clandestina é... mulher no volante
Dirigir com dignidade meu bat-móvel (batido em todos os lados de sua lataria personalizada). E me divertir com as caretas de desespero sufocado da ala masculina ao presenciar minhas manobras infantis na garagem, coladinha às charangas lustrosas dos colegas.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Terapia de mocinha: Se não se pode vencê-los...
... dê risada deles. Porque a felicidade é uma passageira clandestina. Você tem que legalizá-la. Depois, convide-a a sentar e acenar na janelinha.
Obs.: Felicidade clandestina, licença querida Clarice Lispector.
Obs.: Felicidade clandestina, licença querida Clarice Lispector.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Observações de uma segunda chuvosa....
Devíamos nascer com uma tarja:
"O Ministério da Saúde adverte: viver é prejudicial à saúde".
Está certo, concordo que é uma delícia, mas poupem-nos das segundas-feiras.
"O Ministério da Saúde adverte: viver é prejudicial à saúde".
Está certo, concordo que é uma delícia, mas poupem-nos das segundas-feiras.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Carta ao filho que eu quero ter
Meu filho, você nem nasceu, mas a mamãe já sente saudades. Uma saudade mais apertada porque nosso encontro ficou mais distante no tempo. A nossa vida mudou. E a gente vai ter que esperar mais um pouquinho para se encontrar. Espero que tenha paciência, assim como eu venho aprendendo a ter.
Perdoe-me se errei nos planos, nos cálculos. A vida é muito louca e inexplicável.
Saiba que venho esperando você há tempos, me preparando e imaginando cada minuto nosso juntos. Quero muito que você venha pela minha barriga, mas se for de outra também não me importa. Só quero poder te encontrar e dar todo amor que ainda nem sei que existe em mim.
Há meses, venho querendo lhe escrever para saciar essa vontade de te chamar, filho, e eu me chamar simplesmente mamãe.
Essa música, que adoro desde criança, é para você, meu amor.
O Filho Que Eu Quero Ter
Toquinho
Composição: Toquinho/ Vinicius de Moraes
É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer ter.
Perdoe-me se errei nos planos, nos cálculos. A vida é muito louca e inexplicável.
Saiba que venho esperando você há tempos, me preparando e imaginando cada minuto nosso juntos. Quero muito que você venha pela minha barriga, mas se for de outra também não me importa. Só quero poder te encontrar e dar todo amor que ainda nem sei que existe em mim.
Há meses, venho querendo lhe escrever para saciar essa vontade de te chamar, filho, e eu me chamar simplesmente mamãe.
Essa música, que adoro desde criança, é para você, meu amor.
O Filho Que Eu Quero Ter
Toquinho
Composição: Toquinho/ Vinicius de Moraes
É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer ter.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Terapia de mocinha: Nada melhor que um bom pano de chão
Recomendo os poderes terapêuticos de transformar as camisetas do seu ex pilantra em panos de chão. Aproveite cada instante ao passar a tesoura na dita cuja. Não use somente a tesoura e delicie-se com a sensação de rasgar o tecido com as mãos, fazendo barulhinho.
Chato é descobrir que a porcaria da camiseta não seca bem.
P.S.: Eu sei que é um conselho nada budista este (minha nova inspiração), que prega a não retaliação. Mas tudo bem, eu estou bem longe da iluminação ainda. E enquanto corto a camiseta, corto de mim todo o mal e rancor que se acumulam. Ai se a indústria do vestuário descobre essa terapia...
Chato é descobrir que a porcaria da camiseta não seca bem.
P.S.: Eu sei que é um conselho nada budista este (minha nova inspiração), que prega a não retaliação. Mas tudo bem, eu estou bem longe da iluminação ainda. E enquanto corto a camiseta, corto de mim todo o mal e rancor que se acumulam. Ai se a indústria do vestuário descobre essa terapia...
Feliz!!
Hoje falei para minha mãe que estou me sentindo tão incrivelmente bem que chego a duvidar da minha sanidade mental. Ela disse são os remédios (bendita sertralina).
Mas acho que não só remédios. Sinto-me leve, de coração aberto. Há períodos que focamos tanto em um objetivo que nos esquecemos simplesmente de viver. E quando essa luta insana não é compartilhada pelos seus companheiros de batalha, o desafio torna-se um fardo.
OK, tudo o que sinto pode mudar daqui meia hora. Afinal, sou bicho fêmea e estou na TPM. Mas é bom curtir instantes de leveza e até achar lindo o sol lá fora e esse calor senegalês aqui dentro.
Mas acho que não só remédios. Sinto-me leve, de coração aberto. Há períodos que focamos tanto em um objetivo que nos esquecemos simplesmente de viver. E quando essa luta insana não é compartilhada pelos seus companheiros de batalha, o desafio torna-se um fardo.
OK, tudo o que sinto pode mudar daqui meia hora. Afinal, sou bicho fêmea e estou na TPM. Mas é bom curtir instantes de leveza e até achar lindo o sol lá fora e esse calor senegalês aqui dentro.
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