terça-feira, 4 de junho de 2013

Muquiada

Compartimenta, é o que aprendi a repetir para mim toda vez que algo me chateia ou magoa. Guarda num canto, depois pensa no assunto, e segue para outra. É útil para tocar o dia a dia. Mas quando espreito, constato-me um grandessíssimo muquifo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fragmentos de dicionário particular: melancolia

Da palavra que leva açúcar em si, é adoçar as lembranças a ponto de querer devorá-las. Querer mais do que é menos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Fragmentos de dicionário particular: carinho

Caminho que leva ao amor.

NET estorvo

Quer cancelar seu serviço NET? Pense previamente em bons motivos para convencer um atendente a ter alguma compaixão de você nessa empreitada:
1- Virei amish.
2 - Vendi minha TV e o telefone para comprar crack,
3- Assinei um tipo NET, só que funciona.
...


Não é uma assinatura, é uma condenação.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Casamento

Assistir como nunca antes filmes e séries com um dos elementos - zumbis, alienígenas, violência gratuita ou sexo fácil  - somente pelo prazer da trilha sonora. O coração dele batendo, enquanto eu colo o rosto no seu peito.

Vida longa e próspera para nós, já diziam os jedis com suas toalhas pelas galáxias.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Conexão com São Longuinho

Paletó, carteira, óculos, achar o que você espalha pela casa. Permitir me perder naquilo que for nosso, nossa cama, nossos óculos, nossas roupas, nossa vida, nossos planos, apesar dos perdidos.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Fim de caso

As palavra cansaram-se de mim. Sei que há muito tempo, não as convido para rir de uma história, num textinho gostoso de fim de dia. Nem ligo para atualizá-las das novidades da vida, em um dois parágrafos rápidos. É que não quero desgastá-las com minhas mesmas lamúrias, meus medos.

Chegamos a ser tão íntimas. E hoje, nem mais daquela ironia fina temos compartilhado. Elas têm me abandonado. Não me chamam para nenhuma frase. E nem me contam novos parágrafos.

Definitivamente, estou de mal dessas palavras desnaturadas. Sei que elas ainda me procurarão, quando eu estiver um pouquinho melhor. Tenho certeza que não resistirei a aceita-las de braços abertos.

Mas mesmo amando-as, elas me pagarão. Elas que nao me pecam qualquer piedade com a ortografia, iprocritas,  e acentuação novamente, so se elas forem muito boasinhas. Nenhum corretor ortografico vai me impedir. Tenho dito.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Já postou sua felicidade hoje?

Atualmente, não desconfie apenas do que as pessoas aparentam ser, desconfiem do que elas postam ser. Fuja das redes sociais, se você estiver meio chateado, na TPM, entediado. É como fazer supermercado com fome, você fica se perguntando porque não tenho tudo isso no meu carrinho. É impossível não se perder em imagens de paisagens, sorrisos, festas, viagens e bebês fofos. Mas quem já não fez supermercado morrendo de fome e passou no caixa laricas inacreditáveis?

Afinal, a obrigação de ser feliz tornou-se causa de infelicidade na nossa sociedade, segundo a jornalista Eliane Brum, no texto Permissão para ser INfeliz. Vale a pena ler.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reclama para Dilma?

Fim do horário de verão. Não quero a hora que me devolvem hoje. Não é a mesma que surrupiaram meses atrás. Enquanto olho para as paredes insossas de um quarto de hospital, me enfiam goela abaixo a hora que me tiraram.

Depois do torturante despertar uma hora mais cedo por dias a fio, agora tenho mais uma hora para olhar as paredes insossas do hospital.

Não aceito nesse momento, guarda para eu usar mais tarde, em momento mais oportuno.  Eu quero com juros. Quero que embrulhe. Ah, e é para presente, tá?

Com quem que eu reclamo?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ela fazia muitos planos

Obcecada por planos para o ano. Poderia ser sinal de maturidade. Mas quando os planos mais excitantes incluem parques de diversão, rezo para que um dia um cresça. Embora, não canse de rir, quando ele diz que só pode ser pedófilo diante da minha meninice. Embora, saque um lápis da Hello Kitty na reunião de trabalho e não dispense desenho animado antes de dormir.

Ainda custo a reconhecer no espelho meus anos, embora reconheça saudades de cada um deles. E faço planos para um tempo que nunca me pareceu suficiente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Avós para visitar sempre

"a vó tinha um nome feio. hermantina. her-man-ti-na. só ela gostava, era uma homenagem a hermes da fonseca, aquele presidente de quem ninguém se lembra. nós, os netos (quase 40, imagina), a chamávamos de vó gorducha. eu nunca soube quem deu o apelido, mas fazia sentido. não que ela fosse gorda, mas tinha o colo mais gostoso desse mundo, daqueles que curam tristeza de criança melhor que sorvete".


Muito bom, colo de vó coletivo, ainda que virtual, aqui em http://ahvo.wordpress.com/

domingo, 6 de janeiro de 2013

Para presente

Começou empacotando um dedo mindinho. Como ele não fizera falta, experimentou guardar mais dois ou três dedos.

Embalava-os em embrulhos coloridos para, quem sabe um dia, a coragem rasgar cada um deles. Já tinha guardado em papel presente vários dedos, toda uma perna, quando pessoas notaram. Tarde demais.

Estava distribuída em caixas lindas, adornadas em fitas. Alguém ainda teve idéia . Depois de ser aproveitada para decoração de Natal, seus pacotes foram encaminhado para reciclagem.
 
Seria vacuidade? Não tinha certeza, afinal distribuiu a pessoas queridas pedaços. Nada grande que estorvasse. Uma piscada, um cheiro, um trejeito único. Mas ninguém confirma se os guardaram ou perderam por aí.

Só deixou recomendações para preservação de um pacote. À guisa de epitáfio, a embalagem do sorriso levava um pequenino cartão escrito em letra miúda: guarde, por que embalagens de presente e sorrisos nunca deveriam ser esquecidos, ainda mais quando abertos juntos.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tal qual uma Playboy

Arrancou a roupa das palavras, para mostrar o seio nu do pensamento. Um bico rosado apareceu da poesia, embora tentasse esconder em vão a teta murcha de idéias incertas.

Por que a palavra escrita é sem vergonha. Saiu de braço dado mostrando a bunda.